Enquete 47 - Capacidade de uso das terras

A capacidade de uso das terras é uma classificação técnica ou interpretativa baseada no conhecimento das potencialidades e limitações das terras, considerando em especial a suscetibilidade a erosão, e informando as melhores alternativas de uso das terras.

Na hierarquia da classificação existem quatro níveis categóricos divididos em três grupos (A, B, C), oito classes (I, II, III, IV, V, VI, VII e VIII), quatro subclasses: “e” de erosão quanto aos riscos, “s” de solos quanto as limitações, “a” de água quanto aos excessos, “c” de clima com relação as limitações, e diversas unidades de uso. LEPSCH et al (1983) apresentam o esquema das classes, subclasses e unidades de capacidade de uso, conforme a figura 1.

Figura 1. Esquema dos grupos, classes e subclasses e unidades de capacidade de uso das terras (adaptado de PERALTA, 1963).

Grupo A: considera as terras próprias para lavouras, pastagens e/ou reflorestamento abrangendo quatro classes:

  • Classe I: Terras passíveis de cultivos intensivos e sem problemas especiais de conservação e/ou melhoramentos químicos.
  • Classe II: Terras com pequenas limitações, com problemas simples de conservação e/ou melhoramentos químicos.
  • Classe III: Terras com limitações tais que reduzem a escolha dos cultivos e/ou necessitam de práticas complexas de conservação e/ou melhoramentos químicos.
  • Classe IV: Terras com limitações severas para cultivos intensivos, cultivadas com lavouras anuais ocasionalmente e com cultivos perenes protetoras quanto a conservação do solo.

Portanto, as, culturas anuais são indicadas para as classes I a III, sendo possível na classe IV desde que ocasionalmente como na implantação de culturas perenes, ou na reforma das pastagens, culturas perenes e semiperene (café, fruticultura, cana-de-açúcar) podem englobar até a classe IV.

Grupo B: inclui as terras impróprias para lavouras, mas adaptáveis para pastagens, silvicultura e refúgio da vida silvestre:

  • Classe V: Terras sem práticas especiais de conservação, mas com outras limitações porque possuem risco de inundação frequente devido ao encharcamento.
  • Pastagens e reflorestamento são seus principais usos após a drenagem.
  • Classe VI: Terras com limitações tão severas quanto a degradação que são impróprias para cultivos, por isso pastagens e reflorestamento são os usos recomendados.
  • Classe VII: Terras com limitações com problemas complexos de conservação de solos e impróprias para culturas, pastagens e reflorestamentos são os usos indicados.

Portanto, as terras da classe V possui limitação de excesso de água, as de classes VI e VII erosão e/ou baixa fertilidade natural são os principais problemas e nessas condições não são recomendadas para culturais anuais, mas podem ser adaptadas para pastagens e reflorestamento.

Grupo C: engloba terras impróprias para exploração econômica, servindo para recreação:

Classe VIII: Terras impróprias para lavouras, pastagens e reflorestamento servindo apenas para a fauna e flora.

As figuras 2 a 5 ilustram exemplos de paisagens e solos enquadrados nas classes de capacidade de uso de I a VIII.

Na figura 2, a classe I pode ser representada pelo Latossolo Vermelho eutrófico típico textura argilosa num local com declividade de 0-3%, ao contrário da classe IIe onde o mesmo ocorre em local com declividade de 3-6%.

Na figura 3, IIIe representa o Argissolo eutrófico típico abrupto textura arenosa/média quando ocorre num local com declividade de 6 a 12%, o mesmo solo enquadra-se como IVe se ocorrer onde o declive varia de 12 a 20%.

Por outro lado, na figura 4 o Gleissolo Háplico eutrófico típico textura muito argilosa enquadra na capacidade de uso Va, o Neossolo Litólico eutrófico típico no relevo com declividade de 6-12% enquadra-se como VIe.

Finalmente, na figura 5, o Neossolo Litólico eutrófico típico enquadra-se na capacidade de uso VIIe onde a declividade varia de 12-20%, esse mesmo solo como enquadra-se como VIII no relevo com declividade acima de 20% .

Figura 2. Classes de capacidade de uso I e IIe.

Figura 3. Classes de capacidade de uso IIIe, e IVe.

Figura 4. Classes de capacidade de uso Va e VIe.

Figura 5. Classes de capacidade de uso VIIe, e VIII.

FRANÇA (1980), recomenda o estudo da capacidade de uso das terras baseado em mapas pedológicos detalhados, semi detalhados ou reconhecimento de alta intensidade) e não nos generalizados (exploratório, reconhecimento de baixa e média intensidade).

DEMÈTRIO destaca que no cálculo da nota agronômica de uma propriedade agrícola visando saber o valor da terra nua pelo método comparativo, é fundamental associar o conhecimento da capacidade de uso das terras com a localização e qualidade das estradas de acesso a propriedade.

LEPSCH et al ,1983) consideram como “melhoramentos menores” os de fácil alcance aos agricultores tais como a aplicação de corretivos, fertilizantes, como “melhoramentos maiores” a construção de “polders” para controle de inundações como exigidos nos projetos caros financiados por órgãos governamentais.Na classificação da capacidade de uso, os autores lembram que sempre deve-se considerar o nível de manejo médio ou alto, quando baixo não justifica uma adequada conservação dos solos.

Resposta correta: Alternativa 4

Alternativa % de votos
1) O nível do lençol freático não é elevado nas terras da classe V. 15,1
2) Na classe VIIe, ocasionalmente pode-se cultivar plantas anuais. 17,8
3) A exploração econômica com eucalipto nunca pode ser feita nas terras da classe I. 23,0
4) O número de alternativas de uso das terras diminui da classe I para a classe VII. 27,6
5) Os graus de limitações das terras diminuem da classe I para a VIII. 16,4
Total de votos 152

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