Enquete #58 - Necessidade de cálcio em profundidade nos solos

O cálcio estimula o crescimento radicular, ao contráio do alumínio que bloqueia a divisão celular radicular.

A adição de cálcio em profundidade deve ser considerada como manejo avançado, da mesma forma que a irrigação, adubação verde, etc.; pois alteram muito favoravelmente o ambiente de produção.

Para saber se há mesmo a necessidade de incorporar cálcio em profundidade, em primeiro lugar é preciso interpretar as condições químicas pedológicas que são bem abaixo da camada arável (60-100 cm), na prática não é fácil incorporar o elemento em todo ou quase todo volume desse subsolo.

PRADO (2004) verificou que os valores de cálcio e alumínio são muito amplos nos solos tradicionalmente distróficos da literatura pedológica da EMBRAPA (2013): V < 50%.

Por isso, subdividiu-o o amplo caráter distrófico tradicional como mesotrófico, distrófico e mesoálico (quadro 1) considerando também um valor mínimo de soma de bases (SB) juntamente com a saturação por bases (V%) para o solo eutrófico porque nem sempre valores V superiores a 50% significam altos níveis de cálcio, especialmente quando são baixos os valores de soma de bases (SB) e de capacidade de troca de cátions (CTC).

Enquanto que o símbolo CTC representa a capacidade de troca de cátions a pH, o símbolo T representa a CTC da fração argila sem a influência da matéria orgânica.

Matematicamente os valores químicos pedológicos são assim expressos:

Onde:


  • SB: soma de bases;
  • CTC: capacidade de troca de cátions;
  • V: saturação por bases;
  • RC: retenção de cátions;
  • T: CTC da argila sem a contribuição da matéria orgânica.
  • PA: % de argila.

Quando os teores de cálcio são altos, os de alumínio são baixos, exceto nos solos ácricos que possuem baixos teores de ambos os elementos. Os níveis de cálcio nos solos eutróficos geralmente são duas a cinco vezes maiores do que nos solos mesotróficos, nos demais solos são baixos ou muito baixos.

Os solos alíticos e alumínicos não possuem um padrão de valores de soma de bases e cálcio tão bem definidos como nos demais solos.

Quadro 1. Critérios químicos de subsuperfície ou pedológicos (EMBRAPA, 2006; PRADO, 2004).
Critérios químicos V (1) SB (2) Ca2+ m(1) Al3+ RC(3) T(3)
Eutrófico ≥ 50 ≥ 1,5 >1,0 > 1,5
Mesotrófico ≥ 50 < 1,5 >1,0 > 1,5
Mesotrófico 30-50 ≥ 1,2 >1,0 > 1,5
Distrófico < 50 <1,2 <1,0 > 1,5
Ácrico <1,0 ≤ 1,5 *
Mesoálico <1,0 15 < 50 ≥ 0,4
Álico <1,0 ≥ 50 0,41-4,0
Alítico Variável Variável ≥ 50 ≥ 4,0 ≥ 20
Alumínico Variável Variável ≥ 50 ≥ 4,0 < 20

(1): porcentagem; (2): cmolckg-1 de solo; (3):cmolckg-1 de argila; * para ser ácrico é necessário também que o pH KCl seja maior ou igual a 5,0, ou que o delta pH seja positivo.

Para facilitar a definição da condição química do quadro acima siga essas indicações:

  1. Verificar se o solo é eutrófico ou ácrico ou álico ou alumínico; verificar mesotrófico ou mesoálico;se nenhuma alternativa anterior for atendida, é distrófico.
  2. A aplicação de gesso e/ou a calcário em profundidade visa elevar os níveis de cálcio em sub superfície, o efeito da aplicação ocorre com certa dificuldade nos solos de textura média tendendo a argilosa ou muito argilosa e com muita facilidade nos solos de textura arenosa ou média tendendo a arenosa.
  3. Nos solos com altos teores de alumínio em subsuperfície e ao mesmo tempo com altos valores da CTC da argila (maior ou igual a 27 cmolckg-1 de argila), o efeito da gessagem é menor ainda.

Assinale a alternativa correta

Respostas: Alternativa 4

Alternativa Votos (%)
1) O cálcio e o alumínio não tem relação com o crescimento radicular em profundidade. 19,5
2) A gessagem como fonte de cálcio é mais recomenda nos solos eutróficos. 21,3
3) Na análise química pedológica sempre que os teores de cálcio são altos, os de alumínio são baixos. 19,5
4) O efeito da gessagem depende da textura e da CTC da fração argila, entre outros fatores. 22,7
5) Todas afirmativas incorretas. 19,0
Total de votos 436

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