Enquete #68. Solos distróficos: a grande amplitude de cálcio e magnésio em sub superfície

De acordo com o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS, 2013), a condição química pedológica é avaliada de acordo com os dados do quadro 1.

Quadro 1. Critérios químicos de subsuperfície (SiBCS, 2013).
Critérios químicosV(1)m(1)Al3+RC(3)T(3)
Eutrófico≥ 50> 1,5
Distrófico<50<50> 1,5
Ácrico≤ 1,5 *
Álico≥ 50> 1,5
Alítico≥ 50≥ 4,0> 1,5≥ 20
Alumínico≥ 50≥ 4,0> 1,5< 20
(1): porcentagem; (2): cmolckg-1 de solo; (3): cmolckg-1 de argila; * para ser ácrico é necessário também que o pH KCL seja maior ou igual a 5,0, ou que o delta pH (pH KCL-pH água) seja positivo.

Observando milhares de análises do Brasil da camada sub superficial dos solos distróficos com argila de atividade baixa (Tb), verificamos que particularmente para nessa condição química, os valores de cálcio variaram de 0,5 até 2,0 cmolckg-1 de solo e os valores de alumínio a variação foi de 0,2 a 0,8 cmolckg-1 de solo, ou seja, muita variação para a mesma condição química.

Portanto, os elementos que influem no crescimento radicular (cálcio positivamente e alumínio negativamente) estão na mesma faixa de amplitude dos solos distróficos.

Em outras palavras, parte dos solos distróficos do quadro 1 que apresentam saturação por bases não atingem V% dos solos de eutróficos, apresentam teor de cálcio relativamente alto (mesotróficos no quadro 2), e parte dos solos distróficos apresentam saturação por alumínio que se aproxima, mas não atinge m% dos solos álicos, apresentam teor de alumínio relativamente alto (mesoálicos no quadro 2).

Por esses motivos em 2004 sugerimos ao Comitê do Sistema de Classificação ajustar essas enormes amplitudes. Além disso, como sugestão, incluir também a soma de bases no referido quadro 1 porque existem solos com valor de saturação por bases que ultrapassam ligeiramente o valor de 50%, mas não possuem teor mínimo de cálcio adequado em sub superfície (1,0 cmolckg-1 de solo), não justificando assim a condição de solo eutrófico.

Desse modo, foi feita no quadro 2 a modificação para mesotrófico e mesoálico de parte dos solos distróficos do quadro 1.

Quadro 2. Critérios químicos de subsuperfície (EMBRAPA, 2013; PRADO, 2004).
Critérios químicosV(1)SB(2)Ca2+m(1)Al3+RC (3)T(3)
Eutrófico≥ 50≥ 1,5>1,0
Mesotrófico≥ 50< 1,5>1,0
Mesotrófico25-50≥ 1,2>1,0<0,30
Distrófico<50<1,2<1,0<50<0,30
Ácrico<1,00,0-0,3≤ 1,5 *
Mesoálico<1,015 <500,3-0,6
Álico<1,0≥ 500,41-4,0
Alítico<1,0≥ 50> 4,0≥ 20
Alumínico<1,0≥ 50> 4,0< 20
(1): porcentagem; (2): cmolckg-1 de solo; (3): cmolckg-1 de argila; * para ser ácrico é necessário também que o pH KCL seja maior ou igual a 5,0, ou que o delta pH seja positivo.

Em 2006, LANDELL, do Centro de Cana do IAC e colaboradores adotaram o quadro 2 no estudo de enraizamento da cana-de-açúcar comprovando a importância da condição química do mesotrofismo.

Observa-se no quadro 3 que o solo mesotrófico produziu a mais que o distrófico, quase 5 t/ha quando a colheita foi no início de safra, quase 4 t/ha na colheita do meio de safra e quase 3 t/ha quando a colheita foi feita no final de safra.

Outro aspecto é que o solo mesotrófico aproximou-se do solo eutrófico nas 3 épocas de colheita, prova de que os níveis de cálcio do mesotrófico é adequado, o que influi favoravelmente no maior enraizamento da planta em profundidade e, portanto, maior capacidade de água disponível (CAD).

Quadro 3. Matriz de ambientes de colheita da cana-de-açúcar (LANDELL e colaboradores IAC).
CaracterísticasInício de safra (t/ha)Meio de Safra (t/ha)Final de Safra(t/ha)
Eutrófico85,384,278,9
Mesotrófico86,584,872,2
Distrófico81,980,269
Álico78,37761,5
Ácrico75,662,955,5

Em outra pesquisa LANDELL et al (2003), verificaram que a condição química do horizonte sub superficial foi determinante na produtividade de cana-de-açúcar, ampliando-se essa correlação com a produtividade (TCH5) com o avançar dos cortes.

Verificou-se nessa pesquisa que a produtividade nas soqueiras decresceu significativamente na seguinte ordem: eutrófico> mesotrófico> distrófico> ácrico > álico (figura 1).

Figura 1. Produtividade da cana-de-açúcar ao longo dos cortes (LANDELL et al, 2003).

Recentes estudos de soja em solos mesotróficos mostraram altas produtividades, outro exemplo da importância prática do quadro 2.

Escolha a alternativa correta:

Alternativa % de votos
1-Solos álicos possuem adequados níveis de cálcio em sub superfície. 18.9 Votar
2-Solos distróficos apresentam maiores níveis de cálcio do que dos solos mesotróficos. 17.5 Votar
3-As condições químicas citadas referem-se ao horizonte superficial (A). 18.3 Votar
4-Solos álicos apresentam altos valores de CAD. 18.3 Votar
5-Nenhuma das alternativas anteriores. 26.9 Votar
Total de votos: 1069

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