Enquete #66. Os solos do Sistema Brasileiro de Classificação e as relações com aspectos de manejo.

No quadro 1 são apresentados os solos do Sistema Brasileiro de Classificação (SiBCS, 2013), reunidos em seis grupos, cinco deles de solos minerais (grupos I ao V, representados pelos solos predominantemente minerais em relação aos compostos orgânicos vegetais), e um grupo de solo predominantemente orgânico em relação aos compostos minerais (grupo VI).

Em cada grupo de solos foram considerados a sequência de horizontes, e o gradiente textural B/A (quando o solo possui horizonte B diagnóstico).

Na hierarquia do sistema de classificação, a ordem mais representativa e ao mesmo tempo com baixo gradiente textural (B/A) é representada pelos Latossolos (IBGE), grupo I; e a ordem mais representativa com alto gradiente textural (B/A) é representada pelos Argissolos (IBGE), grupo II. Por esses motivos, ambos solos são as opções iniciais de seus respectivos grupos.

Por outro lado, os solos minerais dos grupos III, IV e V possuem sequência de horizontes sem a presença do horizonte B diagnóstico abaixo do horizonte A.

Finalmente, os Organossolos inexpressivos geograficamente (IBGE), correspondem a última opção (grupo VI).

A precedência taxonômica do Sistema Brasileiro de Classificação do Solo (2013) também é considerada, mas somente dentro de cada grupo.

Quadro 1.Grupamentos de solos do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS, 2013).

Grupos de solos Sequência de horizontes no perfil de solo Solos
I
(solo mineral)
A-B diagnóstico com baixo gradiente textural B/A Latossolos: muito profundos, com horizonte B latossólico, abaixo do horizonte A moderado ou A proeminente ou A húmico, ou A antrópico, ou A fraco.
Chernossolos: moderadamente profundos, com horizonte B incipiente (com argila de atividade alta e alta saturação por bases) abaixo do horizonte superficial obrigatoriamente A chernozêmico.
Cambissolos: moderadamente profundos, com horizonte B incipiente abaixo do horizonte A horizonte A moderado ou A proeminente ou A húmico, ou A antrópico, ou A fraco; ou horizonte B incipiente abaixo do horizonte hístico desde esse horizonte apresente espessura menor que 40cm.Se abaixo do horizonte A ocorrer plintita e/ou petroplintita não devem ser atendidas as exigências para enquadramento na classe dos Plintossolos.
Nitossolos: profundos, com horizonte B nítico com pelo menos 35% de argila e com argila de atividade média; ou com o caráter alítico na maior parte do horizonte B dentro dos 150 cm iniciais desde a superfície.
O horizonte B nítico ocorre abaixo do horizonte A moderado ou A proeminente.
Espodossolos: muito profundos, com horizonte B espódico abaixo do horizonte A moderado ou A fraco, ou horizonte B espódico abaixo do horizonte E.
Gleissolos: horizonte glei iniciando dentro de 50 cm de profundidade a partir da superfície.
O horizonte Bg ocorre abaixo do horizonte A moderado ou do horizonte A proeminente ou do horizonte A chernozêmico.
II
(solo mineral)
A-B diagnóstico com alto gradiente textural B/A Argissolos: profundos, horizonte B textural com argila de atividade baixa; ou com argila de atividade alta associado com baixa saturação por bases; ou com o caráter alítico, na maior parte do horizonte B.
Se existir o caráter plíntico, não deve atender as exigências para a classe dos Plintossolos, se existir horizonte glei, não deve atender as exigências para a classe dos Gleissolos.
O horizonte B textural ocorre abaixo do horizonte A moderado ou A proeminente ou A fraco ou A antrópico, ou abaixo do horizonte E.
Planossolos: moderadamente profundos ou profundos, com horizonte B plânico não coincidente com o horizonte plíntico abaixo do horizonte A (moderado ou fraco), ou E).
Luvissolos: moderadamente profundos, com horizonte B textural com argila de atividade alta e elevada saturação por bases na maior parte dos 100cm iniciais, desde a superfície.
O horizonte B textural ocorre abaixo do horizonte A moderado ou A fraco, ou abaixo do horizonte E.
Gleissolos: horizonte glei iniciando subjacente ao horizonte A ou ao horizonte E numa profundidade variando de 50 a 150 cm de profundidade a partir da superfície.
O horizonte B ocorre abaixo do horizonte A moderado ou do horizonte A proeminente ou do horizonte A chernozêmico; inexistência de horizonte plíntico nos 200 cm iniciais, e também de outro horizonte diagnóstico acima do horizonte glei.
Chernossolos (Argilúvicos): moderadamente profundos que apresentam horizonte B textural com alta atividade da fração argila e alta saturação por bases.
O horizonte B textural ocorre abaixo do horizonte superficial, obrigatoriamente A chernozêmico.
Plintossolos (Argilúvicos): horizonte plintico, ou horizonte concrecionário, ou horizonte litoplíntico; exceto quando coincidente com o horizonte B plânico com caráter sódico, iniciando dentro de 200 cm a partir da superfície quando precedidos do horizonte glei, horizonte A ou E, ou de outro horizonte com cores pálidas, variegadas ou mosqueadas.Tipo de horizonte A, geralmente moderado.
III
(solo mineral)
A-C ou A-B não diagnóstico, ou A pouco espesso-Cg ou H pouco espesso-Cg. Neossolos: ausência do horizonte glei dentro dos 50 cm a partir da superfície, exceto se a textura for arenosa, ausência de horizonte plíntico dentro dos 40cm iniciais desde a superfície, ausência do horizonte vértico abaixo do horizonte A; se ocorrer horizonte A chernozêmico não deve existir o caráter carbonático e/ou horizonte cálcico.
Neossolos (Quartzarênicos): muito profundos, horizonte C abaixo do horizonte A moderado, ou do A proeminente ou do horizonte A fraco.
Apresentam textura arenosa em todos os horizontes até pelo menos 150 cm desde a superfície ou até o contato lítico, na mineralogia da fração areia pelo menos 95% é representado pelo quartzo.
Neossolos (Litólicos): rasos, sequência de horizontes A-C-R, ou A-Cr, ou A-Cr-R. Se ocorrer horizonte B sua espessura deve ser inferior a 10 cm, portanto não é diagnóstico.
Horizonte A moderado, ou A proeminente ou A chernozêmico. Se ocorrer horizonte A chernozêmico não deve existir o caráter carbonático, nem o horizonte cálcico.
Neossolos (Regolíticos):moderadamente profundos, sequência de horizontes A-C-R, ou A-Cr, ou A-Cr-R. Tipos de A: moderado, ou proeminente ou fraco; contato lítico na profundidade maior que 50 cm.
O horizonte B (se ocorrer) deve apresentar espessura menor que 10 cm.
Pelo menos uma das duas seguintes exigências deve ainda ser atendida em algum sub horizonte dentro dos 150 cm iniciais desde a superfície:
  • na mineralogia da fração areia e/ou do cascalho (expressos em 100g de TFSA) presença de pelo menos 4% de minerais primários alteráveis.
  • 5% ou mais do volume da massa do solo do horizonte C ou Cr, fragmentos de rocha semi intemperizada.

  • Neossolos (Flúvicos): profundos, sequência de horizontes A-C. O horizonte C ocorre abaixo do horizonte A moderado ou horizonte A proeminente ou horizonte A chernozêmico; valores de argila e carbono muito oscilantes nas várias camadas do perfil, consequência dos depósitos das enchentes sazonais do pretérito.
    Vertissolos: moderadamente profundos ou rasos, horizonte C abaixo do horizonte A moderado. O horizonte vértico deve ocorrer entre 25 a 100 cm de profundidade e serem atendidas todas essas exigências: teor de argila no perfil maior ou igual a 30%, no período seco apresentam fendas de pelo menos 1cm de largura e no mínimo 50 cm de profundidade (ou fendas de pelo menos 30 cm de profundidade nos solos rasos), ausência do contato lítico, do horizonte petrocálcico e de duripã nos 30cm iniciais desde a superfície; nas áreas irrigadas ou mal drenadas o valor do coeficiente de expansão linear é maior ou igual a 0,06; ausência de horizonte B diagnóstico acima do horizonte vértico.
    Chernossolos (Rêndzicos): moderadamente profundos, horizonte C cálcico ou petrocálcico ou carbonático abaixo do horizonte A obrigatoriamente chernozêmico. Se ocorrer horizonte B sua espessura é inferior a 10 cm, portanto não é diagnóstico.
    Plintossolos (Háplicos): horizonte plíntico iniciando dentro dos 40 cm iniciais (sem erosão), desde a superfície.
IV (solo mineral) A-R Neossolo (Litólico): rasos, se ocorrer horizonte B não é diagnóstico por insuficiência de espessura, não possui o horizonte vértico logo abaixo do horizonte A, nem horizonte plíntico dentro dos 40 cm iniciais, sem erosão.
O horizonte A moderado ou A chernozêmico ou A proeminente. Se ocorre horizonte hístico, sua espessura é menor ou igual a 20 cm seguido de camadas com pelo menos 90% (em volume) de fragmentos de rocha e/ou do material de origem).
V (solo mineral) A-F Plintossolos (Pétricos): raso com horizonte concrecionário, ou horizonte litoplíntico abaixo do horizonte A moderado.
VI (solo orgânico) H-B ou O-B ou H-C ou O-C ou H-R Organossolos: Horizonte hístico com espessura maior ou igual a 40cm, ou espessura maior ou igual a 30 cm desde que o citado horizonte ocorra diretamente sobre a rocha.

As vezes, uma mesma ordem da hierarquia de classificação inclui mais de um tipo de horizonte B diagnóstico, como exemplo, Chernossolo com horizonte B incipiente e Chernossolo com horizonte B textural.

Portanto, a mesma ordem (Chernossolos) sub divide-se nas sub ordens com alto gradiente textural B/A,(Chernossolo Argilúvico), ou com baixo gradiente textural B/A (Chernossolo Háplico); ou ainda, nem mesmo apresentar horizonte B diagnóstico abaixo do horizonte A, mas somente o horizonte C (Chernossolo Rêndzico).

Os Gleissolos podem ou não apresentar horizonte B diagnóstico (com baixo ou alto gradiente textural em relação ao horizonte A), ou podem apresentar horizonte A diretamente sobre o horizonte C, o que é comum.

Na hierarquia da classificação do solo, a cor é considerada nos níveis de ordem (Gleissolos) e de subordem (Latossolos (brunos, amarelos, vermelhos-amarelos, vermelhos) e Argissolos (amarelos, vermelhos-amarelos, vermelhos); parte dos Nitossolos (os vermelhos); e parte dos Vertissolos (os escuros).

Na prática, frequentemente encontramos solos amarelos muito favoráveis quimicamente (Latossolo Amarelos eutróficos e mesotróficos textura muito argilosa), em outros locais identificamos solos vermelhos extremamente desfavoráveis quimicamente e muito ressecados (Latossolo Vermelho ácrico textura muito argilosa), portanto nem todos solos vermelhos são melhores do que os amarelos.

Nas relações solo-planta, a cor do solo somente é importante quando refere-se a gleização, mosqueado e/ou variegado, que são reflexos da influência do nível elevado do lençol freático, por isso as plantas tem água disponível por longo tempo.

Exceto a gleização, o mosqueado e o variegado, a cor não é importante em relação a produtividade, o que a planta precisa, ao mesmo tempo: boa condição física, água e nutrientes, portanto independe da cor.

No terceiro nível geralmente são consideradas as condições químicas pedológicas (solos eutróficos por definição são os Luvissolos, Chernossolos, e Vertisolos por isso não são adjetivados de eutróficos no terceiro nível), no quarto nível o solo é típico ou intermediário.

Aspéctos de manejo dos solos

A textura apresenta várias relações com aspectos de manejo, uma delas é a resposta a aplicação de silício que está relacionada com o teor de argila, figura 1; a maior resposta ocorre nos solos mais arenosos (KONDÖRFER).

Figura 1. Relação entre silício disponível com a textura do solo.
Figura 1. Relação entre silício disponível com a textura do solo.

O gradiente textural alto é típico dos Argissolos, nessas condições a velocidade de infiltração da água é rápida no horizonte A de textura arenosa ou média e lenta no horizonte B de textura bem mais argilosa, desse modo a água que não infiltra no perfil, escorre superficialmente na forma de erosão.

Nos Argissolos espessarênicos (textura arenosa desde a superfície estendendo até uma profundidade superior a 100 cm), o processo erosivo é intenso, porém menos acentuado do que nos Argissolos arênicos (textura arenosa desde a superfície estendendo até a profundidade de 50 a 100 cm), condições físicas que influem na decisão do tipo diferenciado de terraço.

Os solos do Brasil mais erosivos são aqueles que possuem o horizonte B textural (Argissolos, Luvissolos, Chernossolos Argilúvicos), e também os de textura arenosa ao longo do perfil (Neossolos Quartzarênicos), além dos solos rasos de qualquer textura (Neossolos Litólicos e a maioria dos Cambissolos).

Em relação a condição química no horizonte sub superficial, a gessagem é indicada nos solos com baixo teor de cálcio (distróficos, mesoálicos, álicos e ácricos).

Nos solos eutróficos, os níveis de cálcio são médios ou elevados em sub superfície consequentemente os teores de alumínio são nulos ou desprezíveis, dispensando a gessagem.

Considere a alternativa correta.

Assinalar a alternaiva correta.

Alternativa % de votos
1-
  1. Sob o mesmo nível de compactação, o preparo do solo é semelhante nos solos dos grupos II (Argissolos, quando espessarênicos) e do grupo III (Neossolos Quartzarênicos).
  2. O terraceamento é diferenciado nos solos do grupo II (Argissolo espessarênico em relação ao Argissolo arênico.
  3. Na conservação dos solos, deve-se ter maiores cuidados com os solos dos grupos II (Argissolos, Luvissolos, e Chernossolos Argilúvicos) e do grupo III (Neossolos Quartzarênicos).
  4. A gessagem é recomendada nos solos distróficos, mesoálicos, álicos e ácricos.
  5. A resposta a silicatagem é maior nos solos dos grupos I (textura é média), II (Argissolos) e do grupo III (Neossolos Quartzarênicos).
25.0 Votar
2-
  1. Sob o mesmo nível de compactação, o preparo do solo é semelhante nos solos dos grupos II (Argissolos, quando espessarênicos) e do grupo III (Neossolos Quartzarênicos).
  2. O terraceamento é diferenciado nos solos do grupo II (Argissolo espessarênico em relação ao Argissolo arênico.
  3. Na conservação dos solos, deve-se ter menores cuidados com os solos dos grupos II (Argissolos, Luvissolos, Plintossolos Argilúvicos e Chernossolos Argilúvicos) e do grupo III (Neossolos Quartzarênicos).
  4. A gessagem é recomendada nos solos distróficos, mesoálicos, álicos e ácricos.
  5. A resposta a silicatagem é maior nos solos dos grupos I (textura média), II (Argissolos) e do grupo III (Neossolos Quartzarênicos).
17.3 Votar
3-
  1. Sob o mesmo nível de compactação, o preparo do solo é semelhante nos solos dos grupos II (Argissolos, quando espessarênicos) e do grupo III (Neossolos Quartzarênicos).
  2. O terraceamento é diferenciado nos solos do grupo II (Argissolo espessarênico em relação ao Argissolo arênico.
  3. Na conservação dos solos, deve-se ter maiores cuidados com os solos dos grupos II (Argissolos, Luvissolos, Plintossolos Argilúvicos e Chernossolos Argilúvicos) e do grupo III (Neossolos Quartzarênicos).
  4. A gessagem é recomendada nos solos eutróficos dos grupos I, II e III.
  5. A resposta a silicatagem é maior nos solos dos grupos I (textura média), II (Argissolos) e do grupo III (Neossolos Quartzarênicos).
15.4 Votar
4-
  1. Sob o mesmo nível de compactação, o preparo do solo é semelhante nos solos dos grupos II (Argissolos, quando espessarênicos) e do grupo III (Neossolos Quartzarênicos).
  2. O terraceamento é diferenciado nos solos do grupo II (Argissolo espessarênico em relação ao Argissolo arênico.
  3. Na conservação dos solos, deve-se ter maiores cuidados com os solos dos grupos II (Argissolos, Luvissolos, Plintossolos Argilúvicos e Chernossolos Argilúvicos) e do grupo III (Neossolos Quartzarênicos).
  4. A gessagem é recomendada nos solos álicos dos grupos I, II e III.
  5. A resposta a silicatagem é maior nos solos de textura argilosa ou muito argilosa.
17.2 Votar
5-Todas alternativas incorretas 25.1 Votar
Total de votos: 773

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