Curiosidades

49ª Ficha pedológica: o “RG” do solo no campo que você precisa saber para classificar o solo.

A descrição morfológica do perfil de solo é de enorme importância para se classificar o solo, mas informações sobre as análises de laboratório são indispensáveis (análises químicas pedológicas e os respectivos cálculos de soma de bases (SB), capacidade de troca de cátions do solo (CTC), capacidade de troca da fração argila (T), saturação por bases (V), saturação por alumínio (m) e retenção de cátions( RC; e ainda análises granulométricas (argila, silte, areia fina e areia grossa), as vezes complementadas com análises mineralógicas das frações argila e areia.

O perfil de solo pode ser estudado em trincheira ou em barranco de estrada, o local escolhido não deve ter erosão, adição de material jogado na sua superfície, proximidade com formigueiro e cupinzeiro.

Se o exame pedológico for feito em barranco de estrada deve-se cavar 40-50cm na face vertical para que o solo seja examinado nas suas condições naturais (o aquecimento solar resseca o solo alterando sua consistência natural, poeiras contaminam quimicamente as paredes do barranco não escavado).

Desde que próximo do horizonte A não ocorra rocha, plintita ou petroplintita, a profundidade ideal da trincheira varia de 1,60 a 1,80 para que o observador possa, ao mesmo tempo, visualizar e coletar as amostras de solo, a largura de 100-200 cm.

A coleta das amostras de solo no perfil deve ser iniciada pelos horizontes mais inferiores para evitar contaminação do material.

Para fazer a descrição morfológica, selecionar somente a face da trincheira com iluminação solar, o que facilita a separação dos horizontes, não jogar nessa face da trincheira o solo escavado dos horizontes mais inferiores evitando assim a contaminação do solo a ser coletado no horizonte A.

Utilizando uma faca ou canivete, separar os horizontes com base nas variações de cor, textura, estrutura e consistência, iniciando pelo horizonte mais superior.

Colocar lado a lado as amostras de solo da parte central dos horizontes contrastantes a serem separados, ajustar a linha divisória entre dois horizontes, colocando novamente lado a lado a amostra de solo mas agora de um ponto mais inferior da amostra inicial do horizonte mais superficial e a amostra de solo de um ponto mais superior do horizonte menos superficial.

Caso seja necessário, fazer novo ajuste até que o risco da ponta da faca ou do canivete separe nitidamente os horizontes contrastantes, o que acontece quando a transição entre os horizontes é abrupta ou clara.

Por outro lado, quando a transição entre os horizontes é gradual ou difusa, é impossível ter um ajuste tão preciso do que acima citado.

Com base na combinação dos horizontes diagnósticos de superfície (A) e de sub superfície (B, ou E, ou plíntico, ou concrecionário, ou litoplíntico, ou glei, ou cálcico, ou petrocálcico, ou sulfúrico, ou vértico, ou fragipã, ou duripã), é possível classificar o solo no nível de ordem na hierarquia de classificação do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS, 2013).

Exemplo: A-Bw (Latossolo).

Na descrição morfológica são consideradas a coloração, textura, estrutura, consistência, coesão, transição entre os horizontes ou entre as camadas, porosidade, cimentação, presenças de carbonatos, manganês, sulfetos, eflorescência.

A descrição morfológica está intimamente relacionada com as algumas inferências, tais como:

  • solos com rachaduras no horizonte B no período seco apresentam valores médios da CTC da argila (T de 17-27 cmolc/argila, Tm ou argila de atividade média), ou altos (T maior ou igual a 27 cmolc/argila, Ta ou argila de atividade alta).
  • solo muito pegajoso na textura possui teor de argila elevado.
  • solo muito sedoso na textura apresenta teor de silte relativamente elevado.
  • solo muito áspero na textura possui teor de areia elevado.
  • solo com mosqueado ou variegado possui encharcamento temporário no período chuvoso ou quando irrigado, o que favorece a compactação, e a incidência de doenças, principalmente as fúngicas.

A figura 1 apresenta um exemplo de uma ficha pedológica.

Figura 1. Ficha pedológica.
Figura 1. Ficha pedológica.

Nunca todos os símbolos de horizontes coexistem, somente alguns horizontes estão conectados no perfil de solo!

Na primeira coluna da ficha pedológica constam os símbolos dos horizontes principais (O, H, A, E, B,C,F); e dos horizontes transicionais (AO, AH, AB,BA, EB, AC, EB, BC).

Existem vários sufixos que detalham o horizonte principal (SANTOS et al, 2005):

  • sufixos d, o, p (para o horizonte O);
  • d, j, n, o, u, z (para o horizonte H);
  • a, b, c, e, f, g, k, f, n, p, u, z (para o horizonte A);
  • b, c, g, x (para o horizonte E);
  • a, b, c, e, f, g, j, k, f, m, n, q, v, x, y, z, h, i, s, t, w (para o horizonte B);
  • a, c, f, g, j, k, f, m, n, q, v , x, y, r (para o horizonte C).
  • b (para o horizonte ou a camada F).

Em relação aos horizontes principais:

Quando observa-se revolvimento do solo causado pela aração, o horizonte A é simbolizado de Ap (p de “plower” em inglês), mas se o solo não foi arado simboliza-se de A1.

O horizonte A1, pode ser subdividido em sub horizontes em função da espessura, das nuances de cor escura e/ou da estrutura e da consistência, numerado duplamente:

O primeiro número (A1) representa o horizonte A, portanto sem influência da aração, o segundo número é colocado em função das diferenças morfológicas acima citadas.

Exemplo: horizontes A11, A12 e A13.

O A11 mais escuro do que o A12 mais escuro do que o A13, se existirem diferenças de estrutura e consistência devem ser também consideradas na subdivisão.

Pedologicamente, o horizonte B é o mais importante de todos porque é o de máxima expressão de cor, textura, estrutura, consistência (e cerosidade, se esta existir!).

Esse horizonte também divide-se em sub horizontes; se for B latossólico (Bw) as diferenças de cores permitem as separações difusas em Bw1, Bw2, Bw3, etc; mas se for B textural (Bt) subdivide-se em Bt1, Bt2, Bt3, etc com base nas diferenças de cor, textura, estrutura, consistência (e cerosidade, se existir!).

O horizonte E, em relação ao horizonte A é relativamente mais claro, mas quando é muito claro é adjetivado de horizonte álbico; que também pode ser subdividido em E1, E2, etc com base nas nuances de cor e/ou das diferenças na quantidade de lamelas, que podem existir ou não nesse horizonte.

O horizonte C também pode ser subdividido em C1, C2, etc de acordo com a mesclagem de cores, e/ou da quantidade de material rochoso alterado nele presente.

Em relação aos horizontes transicionais:

  • AB: mais semelhante com o horizonte A do que com o horizonte B.
  • BA: mais semelhante com o horizonte B do que com o horizonte A.
  • AE: mostra cor mais parecida com o horizonte A do que com o horizonte E
  • AC: mais semelhante com o horizonte A do que com o horizonte C.
  • BC: mais semelhante com o horizonte B do que com o horizonte C.
  • O horizonte BC apresenta cor bem mais vermelha do que o horizonte B amarelo; ou cor bem mais amarela do que o horizonte B vermelho; o teor de argila no horizonte BC é menor do que do horizonte B, o de máxima expressão, as vezes o horizonte BC pode mostrar pontuações esbranquiçadas.

    A rocha, é simbolizada camada de R; finalmente F simboliza o material consolidado ou não consolidado rico em ferro e/ou alumínio.

    Além dos horizontes principais e transicionais, pode ser que no perfil de solo ocorram horizontes intermediários (A/B, A/C, E/B, B/C, B/C/R), a primeira letra refere-se ao horizonte que coexiste ocupando o maior volume.

    Na segunda coluna da ficha pedológica, registrar a profundidade de cada horizonte, na terceira coluna anotar o teor de argila estimado pela sensação de pegajosidade do solo molhado (somente se você possui experiência nessa sensação de tato para essa estimar a porcentagem de argila).Caso contrário, depende-se dos dados de laboratório sabendo que possíveis falhas na determinação de argila geram erros no cálculo do gradiente textural o que resulta no erro de classificação do solo (o método da pipeta é mais recomendável do o que método do densímetro).

    Na quarta coluna identificar a cor utilizando a tabela MUNSELL em local com boa iluminação solar.

    Finalmente na quinta, sexta e sétima colunas identificar a estrutura, consistência e cerosidade (se existir), mas se a observação pedológica foi feita mediante tradagem essa avalição não deve ser feita porque ao girar o trado, forçam-se os agregados naturais do solo, destruindo-os.

    Apenas a consistência do solo molhado pode ser examinada na amostra de solo coletada no perfil de solo ou na tradagem.

    Quando existir descontinuidade (s) litológica (s) no perfil de solo, evidenciado pela presença de linhas de pedras, considerar sua espessura e profundidade.

    Os horizontes que ficam acima da primeira descontinuidade não é numerado (assume-se ser 1), mas o horizonte que fica logo abaixo dessa descontinuidade recebe o número 2, se existir outra descontinuidade, numerar como 3.

    Finalizando, na descrição geral do perfil de solo devem ser considerados mais essas informações:

    localização geográfica do perfil, situação na paisagem, altitude, geologia, pedregosidade, rochosidade, tipo de drenagem interna, relevo, vegetação original, uso atual e clima.

    Mais detalhes sobre o assunto consultar o Manual de descrição e coleta de solo no campo (SANTOS et al, 2005).

    48ª Cana-de-açúcar e convivem peixe no mesmo ambiente.

    Na região matogrossense de Tangará da Serra, a cana-de-açúcar e lambaris convivem quando quando é aberto um canal para drenar o excesso de água no Neossolo Quartzarênico órtico porque o nível do lençol freático é elevado (figuras 1 e 2).

    Isso ocorre quando o peixe muda sua rota normal saindo dos riachos em direção ao canal

    Figura 1. Canal aberto na cana-de-açúcar.
    Figura 1. Canal aberto na cana-de-açúcar.
    Figura 2. Detalhe do canal aberto na plantação de cana-de-açúcar.
    Figura 2. Detalhe do canal aberto na plantação de cana-de-açúcar.

    47ª Gênese dos Neossolos Flúvicos, Neossolos Litólicos, Neossolos Regolíticos e Neossolos Quartzarênicos

    As explicações para a gênese dos Neossolos Litólicos, Neossolos Regolíticos e Neossolos Flúvicos são muito confortáveis, ao contrário da explicação dos Neossolos Quartzarênicos, todos considerados solo jovens nos sistemas de classificação de solos do Brasil e dos Estados Unidos.

    O teor de argila dos Neossolos:

    • Depende da natureza da rocha nos Neossolos Litólicos (figura 1) e nos Neosolos Regolíticos (figura 2) ,
    • Deve ser alternadamente alto e baixo nas várias camadas no perfil dos Neossolos Flúvicos (figura 3a), consequência das adições de lama, e material grosseiro pelas enchentes fluviais dos tempos pretéritos e atual (figura 3b),
    • É muito baixo nos 200cm iniciais nos Neossolos Quartzarênicos (argila mais silte menor ou igual a 15%, a diferença representada basicamente pela fração areia constituída básicamente de quartzo, mineral altamente resistente as intempéries, por isso o reduzido teor argila no ambiente do intemperismo (figura 4).
    Figura 1.Ambientes de produção de cana-de-açúcar.
    Figura 1. Perfil representativo do Neossolo Litólico (Foto: José Coelho de Araújo, EMBRAPA-Solos).
    Figura 1.Ambientes de produção de cana-de-açúcar.
    Figura 2. Perfil representativo do Neossolo Regolítico (Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, Ribeirão Preto).
    Figura 1.Ambientes de produção de cana-de-açúcar. Figura 1.Ambientes de produção de cana-de-açúcar.
    Figura 3. Perfil representativo do Neossolo Flúvico e local de ocorrência do Neossolo Flúvico na paisagem do rio Piracicaba (SP), (Foto: Hélio do Prado).
    Figura 1.Ambientes de produção de cana-de-açúcar.
    Figura 4. Perfil representativo do Neossolo Quartzarênico (Foto: Hélio do Prado).

    O grande desconforto é explicar toda juventude do Neossolo Quartzarênico uma vez que esse solo possui pelo menos 5-10 metros de profundidade, mesmo assim pedologicamente é considerado jovem!

    Nas trincheiras profissionais e alunos sempre perguntam:

    Porquê as literaturas pedológicas do Brasil e dos Estados Unidos consideram tão jovem o Neossolo Quartzarênico e o Entisol, respectivamente ?

    46ª A medida do ambiente de produção de cana-de-açúcar

    Ambiente de produção é a interação do solo com o clima histórico.

    No caso da cana-de-açúcar, com estudo específico do Centro de Cana do IAC, os ambientes de produção literalmente variam de A1 até G2 com produtividades médias de cinco cortes (TCH5) e notas (10 a 0), respectivamente decrescentes, figura 1.

    Figura 1.Ambientes de produção de cana-de-açúcar.
    Figura 1.Ambientes de produção de cana-de-açúcar.

    O manejo considerado nas produtividades da figura 1 inclui as boas práticas agrícolas em relação ao preparo e conservação do solo, calagem, gessagem, controle de fitossanidade, além da correta época de plantio e também de colheita.

    O efeito benéfico do manejo avançado pela adição de vinhaça, torta de filtro e o plantio da cana-de-açúcar em locais previamente com soja, milho, citrus, etc certamente incrementam a produtividade reveladas na figura 1.

    O mesmo solo enquadra-se em diferentes ambientes de produção porque a deficiência hídrica difere.

    Por exemplo, o Nitossolo Vermelho eutroférrico textura argilosa ou muito argilosa A moderado que ocorre na região de Maringá (PR) enquadra-se no ambiente A1 quando a colheita é feita no início e meio de safra, e B1 quando a colheita é no final de safra.

    Esse mesmo solo também ocorre na região de Goianésia (GO), bem mais seca do que Maringá, enquadrando-se no ambiente C1 quando a colheita é feita no início de safra, C2 na colheita no meio de safra e D2 quando colhida no final de safra.

    Portanto, ambiente de produção não sinônimo de fertilidade do solo!

    45ª Raízes versus disponibilidade de água

    Levando em consideração o maior tempo de água disponível para as plantas, a fórmula de água disponível considera a capacidade de campo (CC), o ponto de murcha permanente (PMP), em porcentagem em volume, multiplicado pela profundidade do sistema radicular (cm).

    Se os valores das diferenças entre CC e PMP forem altos de determinado solo, não significa alta disponibilidade hídrica no perfil porque esses valores são multiplicados pela profundidade radicular, quando é pequeno o volume raízes no perfil de solo, como resultado final será baixa a disponibilidade hídrica.

    Isso se deve ao sistema radicular ficar restrito na camada superficial, quando os solos apresentam os seguintes impedimentos, que podem estar associados ou não:

    • Impedimentos químicos (elevada acidez devido aos baixos valores de cálcio, magnésio, potássio, ou seja reduzidos valores de saturação por bases com consequente elevada saturação por alumínio, e/ou baixos teores de fósforo no horizonte A);
    • Impedimentos físicos (compactação, ou adensamento); e/ou
    • Impedimentos biológicos (doenças e pragas de solo).

    A figura 1 destaca as diferentes profundidades de exploração das raízes, desde os solos com maior porcentagem de saturação por bases no perfil incluindo o horizonte B (eutróficos) com V% gradativamente diminuindo até os com alta saturação por alumínio (álicos).

    Condições químicas do horizonte B: e - eutrófico; m - mesotrófico; d - distrófico; ma - mesoálico; a - álico. - Figura 1. Exploração do sistema radicular nos solos com diferenciação química em sub superfície (TCC de Thiago A.B. do Prado, UFSCar, Araras-SP).
    Figura 1. Exploração do sistema radicular nos solos com diferenciação química em sub superfície (TCC de Thiago A.B. do Prado, UFSCar, Araras-SP).

    44ª Ambientes de Produção Dinâmicos de Cana-de-Açúcar

    Logotipo, Ambientes de Produção Dinâmicos de Cana-de-Açúcar.

    Ambiente de produção de cana-de-açúcar é o local da interação do solo com o clima, refletindo na produtividade nas diferentes épocas de corte da planta (Centro de Cana-IAC).

    Logotipo, Ambientes de Produção Dinâmicos de Cana-de-Açúcar.

    No enquadramento dos ambientes de produção considera-se o manejo básico (adequado preparo do solo, corretos manejos: de conservação do solo, calagem, adubação e gessagem; ausência de mato competição, de pragas e doenças; além do plantio e na colheita nas épocas mais recomendadas).

    Depois de enquadrado, o ambiente de produção considerado no manejo básico é modificado favoravelmente quando for feito o manejo avançado (irrigação plena ou semi plena, aplicação de vinhaça, torta de filtro, adubação verde, soja por longo tempo; e o preparo muito profundo abaixo de 50cm de profundidade. Este preparo deve ser feito somente:

    1. Nos solos com limitação química em sub superfície em relação aos níveis de bases, como cálcio, magnésio e potássio (“desnecessário no preparo muito profundo enriquecer um solo rico em bases, pois são os eutróficos!”); e
    2. Nos solos ressecados, ou seja aqueles que não disponibilizam água no horizonte B por maior tempo, tais como os Latossolos distróficos ou mesoálicos ou álicos ou ácricos.

    A figura a seguir mostra a interação entre variedades de cana-de-açúcar com diversidade do potencial genético. No lado direito da figura está representado o ambiente mais favorável, no lado esquerdo, o ambiente mais desfavorável.

    No ambiente de produção mais favorável a variedade que mais se destacou foi a IACSP94-2101, por ser geneticamente a mais exigente com relação ao ambiente, quando alocada no ambiente desfavorável não foi a que a mais se destacou (ficou como última colocada!).

    Por outro lado, no ambiente desfavorável a variedade SP813250 foi a mais produtiva por ser geneticamente pouco exigente em relação ao ambiente de produção, quando alocada (incorretamente no ambiente favorável) ficou na segunda colocação.

    Concluindo, antes de se programar a alocação das variedades de cana-de-açúcar é decisivo saber quais são os ambientes de produção da usina ou destilaria.

    Respostas das variedades de cana-de-açúcar nos diferentes ambientes de produção, IACSP94-2101: Perfil responsivo/exigente. Fonte: M. G. A. Landell.
    Respostas das variedades de cana-de-açúcar nos diferentes ambientes de produção, IACSP94-2101: Perfil responsivo/exigente. Fonte: M. G. A. Landell.

    43ª Relação entre Pedologia e Entomologia

    A presença da cigarrinha no solo cultivado com cana-de-açúcar (figura 1), está relacionada com:

    • CTC do solo;
    • Disponibilidade de água no perfil;
    • Palha (princial fator);
    • Cultivo anterior (pastagem, sua outra planta hospedeira).

    Quanto maior a CTC do solo maior é a abertura de fendas no período seco, nessa condição fica fácil da ninfa da cigarrinha aproveitar o espaço para se proteger.

    Por isso nas mesmas condições climáticas e solos com elevada CTC tais como Vertissolos, Nitossolos e Latossolos argilosos e muito argilosos, existe maior grau infestação da cigarrinha do que nos demais solos, com CTC baixa.

    A figura 2 destaca o fendilhamento no horizonte A do Nitossolo Vermelho.

    Figura 1. Cigarrinha.
    Figura 1. Cigarrinha.
    Figura 2. Fendas no horizonte A do Nitossolo Vermelho.
    Figura 2. Fendas no horizonte A do Nitossolo Vermelho.

    42ª O preparo muito profundo dos solos

    Em média, a profundidade do horizonte A dos solos brasileiros possui 30 cm, depende muito do tipo de solo, abaixo dessa profundidade ocorre o horizonte sub superficial B (ou horizonte C na ausência do horizonte B).

    O preparo de solos muito profundo (80-100 cm) e moderadamente profundo (40-80 cm) geralmente atinge o horizonte sub superficial. Há casos do preparo moderadamente profundo ser o mais indicado, em vez relação ao muito profundo.

    Existem vários tipos de solos, cada um reage diferentemente a esse tipo de manejo, para decidir a execução do preparo de solo na propriedade, em primeiro lugar, deve-se executar o levantamento de solos, depois conhecer as características físico-hídricas e químicas do perfil de solo.

    Caso não seja recomendado esse preparo, se for executado poderá até reduzir a atual produtividade, além dos gastos desnecessários com maquinários e equipamentos.

    Existem dois grupos de manejo, grupo I é recomendado o preparo muito profundo, já no grupo II não recomendado.

    Grupo I

    Solos: Latossolos distróficos, mesoálicos, álicos e ácricos, Plintossolos Háplicos com quantidade de plintita menor que 25% em volume

    Justificativas: São solos com limitação química abaixo da camada arável, com teores baixos ou muito baixos de cálcio, consequentemente com altos ou muito altos teores de alumínio trocável, o que limita o enraizamento em profundidade.

    O efeito do preparo profundo aumenta a saturação por bases (V%) favorecendo maior enraizamento em profundidade, aumentando o vigor da planta.

    Grupo II

    Solos: Latossolos eutróficos e mesotróficos, Nitossolos eutróficos e mesotróficos, Argissolos eutróficos e mesotróficos, Luvissolos, Vertissolos. Por definição todos Luvissolos e Vertissolos são eutróficos.

    Justificativas: São solos que naturalmente apresentam médios ou altos de cálcio, consequentemente baixos valores de alumínio trocável abaixo do horizonte A. Essas condições químicas favorecem o crescimento radicular em profundidade.

    Não é recomendado o preparo muito profundo nos solos eutróficos e mesotróficos porque os níveis de bases em sub superfície são naturalmente adequados, especialmente de cálcio. Desnecessáro enriquecer um solo rico em bases, já naturalmente rico em bases na sua gênese pedológica! Nos Argissolos, mesmo sendo distróficos ou mesoálicos, não se recomenda o preparo muito profundo porque a disponibilidade hídrica é favorável em função da quebra de capilaridade entre o horizonte A menos argiloso A e horizonte B bem mais argiloso, o que aumenta o tempo da água no perfil de solo. Quando o Argissolo apresenta o horizonte A totalmente erodido fica difícil o manejo de solo em termos de preparo. A consistência extremamente firme dos Vertissolos é responsável pela não recomendação do preparo abaixo do horizonte A. Esses solos não devem ser subsolados porque possuem adensamento genético.

    Solos: Plintossolos Pétricos, Plintossolos Argilúvicos, Plintossolos Háplicos com quantidade de plintita acima de 25% em volume.Neossolos Quartzarênicos.

    Os Plintossolos Pétricos possuem condições físicas tão péssimas que equipamentos desgastam-se rapidamente. Isso também ocorre nos Plintossolos Háplicos com volume de plintita acima de 25% em volume. Até mesmo nos Plintossolos Argilúvicos, distróficos ou mesoálicos, não se recomenda o preparo profundo porque a disponibilidade hídrica é favorável em função da quebra de capilaridade entre o horizonte A e E menos argilosos A e do horizonte B bem mais argiloso, o que aumenta o tempo da água no perfil de solo. A estrutura em grãos simples e a consistência solta dos Neossolos Quartzarênicos não justifica o preparo muito profundo.

    41ª Produtividade e a longevidade da cana-de-açúcar

    A produtividade e a longevidade da cana-de-açúcar dependem não só das condições químicas do horizonte superficial (A) como também do horizonte sub superficial (B).

    A figura 1 ilustra o desenvolvimento radicular da cana-de-açúcar concentrado no horizonte A do Acrisol (FAO/WRB) que correlaciona-se com o Argissolo Amarelo distrófico do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (BRASIL).

    Notar que abaixo do horizonte A, tipicamente escuro, o sistema radicular não aprofunda no perfil porque as condições químicas abaixo desse horizonte são muito limitantes em termos de bases, especialmente de cálcio.

    Figura 1. Desenvolvimento radicular da cana-de-açúcar no Acrisol do México (Foto: Sergio Salgado Garcia).
    Figura 1. Desenvolvimento radicular da cana-de-açúcar no Acrisol do México (Foto: Sergio Salgado Garcia).

    40ª Pergunta sobre gênese

    Para os pedologistas, uma das perguntas mais admiráveis sobre a gênese do solo: porquê existem Latossolos com altos valores de saturação por bases (eutróficos) no horizonte B, uma vez que os solos tropicais tiveram intensa remoção de bases na fração argila durante o intemperismo?

    39ª Fator água relacionado com manejo de solos numa paisagem

    As cores e a textura podem ser fortes indicativos de muitas explicações em relação aos aspectos de manejo de solos.

    Observe na figura abaixo que no topo ocorrem solos vermelhos (Latossolos Vermelhos), no final da encosta solos amarelos (Latossolos Amarelos) sem e com mosqueamento e nas baixadas são encontrados solos acinzentados (Gleissolos).

    Figura 1. Distribuição dos solos na região do Triãngulo Mineiro.
    Figura 1. Distribuição dos solos na região do Triãngulo Mineiro.

    No topo ocorrem solos de textura média tendendo a arenosa (16-25% de argila) mas nas encostas o teor de argila é crescente (60-70% de argila).

    A drenagem interna dos solos também é muito diferente, pois os Latossolos do topo são excessivamente drenados por serem de textura média tendendo a arenosa, após uma chuva a água é removida muito rapi-damente, Latossos das encostas são acentuadamente drenados por serem de textura mais argilosa onde a água é removida rapidamente, mas se mosqueados nos Latossolos Amarelos, após uma chuva a água é removida numa velocidade moderada no perfil.

    Finalmente os Gleissolos das várzeas são mal drenados onde a água é removida tão lentamente que per-manecem no solo na maior parte do ano (Gleissolos).

    Em relação a coloração, os solos que ocorrem nas maiores altitudes são vermelhos devido a influência da hematita e os solos que ocorrem nas menores altitudes limitando com as várzeas são amarelos devido a contribuição da goethita (óxido de ferro hidratado), ao contrário da hematita.

    Na prática, são muito importantes esses conhecimentos da presença dos solos goethíticos, pois:

    • explicam porquê os Latossolos Amarelos demoram mais para secar: tem-se verificado que nesses solos o milho, a soja e a cana-de açúcar produzem mais em relação aos solos hematíticos.
    • explicam porquê nos Latossolos Amarelos existe grande possibilidade de ocorrer a gomose do citrus por favorecer o desenvolvimento do fungo causador dessa moléstia vegetal e também porque o potencial de crescimento da cigarrinha também aumenta em relação aos os solos do topo, hematíticos.

    38ª Restrição de drenagem no perfil de solo

    Mosqueados e variegados são feições do solo de cores contrastantes indicando ambiente úmido em fun-ção da oscilação pretérita do nível do lençol freático, no mosqueado predomina uma das cores, ao con-tráro do variegado.

    Na gênese desses solos, o ferro na forma oxidada (condições aeróbicas) coloriu de vermelho e/ou verme-lho-alaranjado, na forma reduzida (condições anaeróbicas) coloriu de cinza.

    A drenagem interna do solo está diretamente relacionada com velocidade de percolação da água em pro-fundidade. Os solos que possuem coloração com mosqueado (figura 1) , ou variegado (figura 2) apresen-tam limitação da percolação de água no perfil de solo, que fica úmido por longo tempo após a chuva oua irrigação.

    A presença dessas feições pedológicas não pode ser omitida na classificação do solo adjetivando-o co-mo “moderadamente drenado”.

    Exemplo: Argissolo Amarelo distrófico típico textura média/argilosa A proeminente moderadamente drena-do.

    Como exemplos da drenagem interna muito contrastantes de solos em relação aos com drenagem modera-da, pode-se citar os solos bem drenados (Latossolos argilosos e muito argilosos não compactados), excessivamente drenados (Neossolos Quartzarênicos) e com má drenagem (Gleissolos).

    Algumas plantas beneficiam-se muito de solos mosqueados e variegados como a cana-de-açúcar demorando para secar no campo, outras são muito prejudicadas como a cultura do citrus pelo desenvolvimento do fungo causador da doença conhecida como gomose.

    Figura 2. Coloração variegada do solo.
    Figura 2. Coloração variegada do solo.

    37ª Clima

    Saber os valores de precipitação pluvial anual e mês a mês é importante, porém muito mais importante é conhecer a chuva diária, pois mensalmente pode até ser alta precipitação (quadro 1), mas periodicamente por 15 dias consecutivos totalmente secos (quadro 2).

    Quadro 1. Precipitação total mensal na região de Dourados no período de 2001 a 2009.
    Ano Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total
    Média 171,7 180,4 111,6 116,9 106,1 53,3 51,5 59,4 85,1 177,1 206,7 215,2
    2001 152,0 270,0 275,5 49,0 81,7 54,6 23,9 24,4 132,2 40,6 314,5 189,4 1607,8
    2002 52,2 251,0 59,6 3,4 118,1 0,3 36,8 24,5 19,1 245,0 228,6 299,8 1338,4
    2003 339,8 338,1 116,9 383,3 209,2 152,2 21,5 190,0 278,5 371,9 310,7 270,1 2982,2
    2004 68,4 70,4 76,6 197,6 331,2 111,5 53,4 4,8 43,2 235,9 167,9 121,7 1482,6
    2005 197,1 18,0 34,8 151,8 46,6 41,0 15,2 0,2 140,8 188,0 156,0 283,0 1272,5
    2006 137,8 122,0 160,0 116,2 17,0 45,8 33,8 16,6 57,6 69,6 111,2 276,6 1164,2
    2007 187,2 222,6 125,6 46,2 54,2 7,2 123,6 35,0 8,6 97,6 207,8 139,8 1255,4
    2008 214,6 251,2 99,8 104,8 40,4 14,0 30,6 98,8 36,6 103,8 123,8 17,8 1136,2
    2009 196,2 80,4 56,0 0,0 56,4 53,4 124,8 140,1 49,7 241,7 239,9 338,5 1577,1
    Quadro 2. Precipitação considerando a chuva menor que 10 mm pelo período de 15 dias seguidos na região de Dourados no período de 2001 a 2009.
    Ano Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
    Média 26 23 27 27 28 28 29 29 28 26 25 26 322
    2001 27 17 23 28 28 29 30 30 27 31 22 26 318
    2002 30 21 29 30 27 30 30 30 30 26 27 23 333
    2003 25 21 26 23 28 28 30 27 23 24 24 25 304
    2004 28 27 27 21 22 25 29 31 28 24 26 25 313
    2005 23 27 29 26 29 28 31 31 29 24 25 27 329
    2006 28 23 24 27 30 27 30 30 28 28 27 26 328
    2007 25 23 26 28 29 30 28 30 30 27 24 28 328
    2008 26 21 28 26 29 30 30 28 29 28 26 31 332
    2009 23 26 30 30 29 28 25 25 29 26 22 22 315

    Isso acontece, por exemplo, com a região de Dourados (MS), tradicionalmente conhecida como uma região sem problema de deficiência hídrica anual!

    36ª Teor de argila

    Solos com baixo teor de argila estão associados com baixa capacidade de água disponível (CAD), seguindo este raciocínio, solos com alto teor de argila teriam alta capacidade de água disponível?

    A prática mostra ser comum Latossolos com alto teor de argila apresentar baixa capacidade de água disponivel no solo (CAD), por isso é um grande risco sempre associar disponibilidade hídrica alta com teor de argila elevado, exceto para os Nitossolos.

    A figura 1 abaixo mostra a disponibilidade de água em milímetros de água/cm de solo explorado pelo sistema radicular, ao lado do triângulo textural.

    Figura 1. Capacidade de água disponível (a) e textura dos solos (b).
    Figura 1. Capacidade de água disponível (a) e textura dos solos (b).

    Especialmente os Latossolos ácricos argilosos e muito argilosos (Lw-3,4) apresentam; em média 0,6 mm de água/cm de solo com raízes (figura 1).

    A restrição ao crescimento radicular em profundidade em função do baixo teor de cálcio no horizonte B desses solos ácricos é responsável pela pequena profundidade efetiva do sistema radicular, em média de 50 cm.

    Nessas condições: CAD: 0,6 mm/cm x 50 cm resulta no armazenamento de apenas 30 mm, valor típico de outros solos totalmente arenosos, como os Neossolos Quartzarênicos (anteriormente classificada como Areia Quartzosa)!

    35ª Ambientes de produção

    Os ambientes de produção das plantas podem ser são favoráveis, médios ou desfavoráveis.

    São favoráveis somente se ao mesmo tempo forem adequadas as condições hídricas, físicas e de fertilidade do solo ao longo de pelos menos 100 cm de profundidade, como exemplo, nos Chernossolos Argilúvicos ou Háplicos, Nitossolos Vermelhos, Gleissolos Melânicos ou Háplicos, todos eutróficos.

    Solos que não possuem as 3 condições simultâneas são excluídos desses melhores ambientes de produção, como exemplos os:

    • Vertissolos, apesar da maior fertilidade natural do mundo em termos saturação por bases, possuem más propriedades físicas e parte da água disponível é tão fortemente retida na argila expansiva que não é aproveitada pelas plantas, por isso o ambiente de produção desfavorável.
    • Latossolos de textura média ou argilosa ou muito argilosa com alta saturação por alumínio nos 100 cm iniciais desde a superfície, por isso o ambiente de produção desfavorável.
      Se for anulada a alta saturação por alumínio nos 50 cm iniciais desde a superfície e continuar acima de 50% na profundidade de 50-100 cm (na prática é muito difícil reduzir significativamente a saturação por alumínio na profundidade de 50-100 cm), o ambiente de produção deixa de ser desfavorável mudando para médio, mesmo sendo de uma região com pluviometria favorável como a região norte do Paraná e sul do Mato Grosso do Sul.
    • Gleissolos Tiomórficos é muito adequado suprimento hídrico diário nesse solo, mas a condição química é extremamente adversa abaixo da camada arável limitando totalmente o crescimento radicular em profundidade (pH em água 3,5 sem possibilidade de ser elevado na calagem com altas doses de calcário mantendo o valor próximo a 3,5 devido ao horizonte sulfúrico).

    Resumindo, não importa o solo ter alta fertilidade natural, se faltar água em função da baixa pluviosidade local, nem ser adequado o suprimento de água porque chove muito na região e/ou pela presença do nível elevado do lençol freático se a raiz da planta cresce somente poucos centímetros de profundidade, assim a disponibilidade hídrica é reduzida porque a profundidade do sistema radicular é decisivo na disponibilidade de água justificando o ambiente de produção médio ou até desfavorável como citado para os Latossolo, pois água disponível = capacidade de campo-ponto de murcha permanente x profundidade do sistema radicular.

    Finalmente são enquadrados nos ambientes de produção desfavoráveis os solos que possuem pelo me-nos duas condições limitantes: hídrica e de fertilidade, (Neossolo Quartzarênico); ou três condições: física, hídrica e de fertilidade (Plintossolo Pétrico).

    34ª Curiosidade

    A compactação ou o adensamento do solo limita muito o enraizamento da planta em profundidade porque reduz drasticamente a porosidade.

    Observa-se na ilustração a nítida tendência do crescimento radicular da cana-de-açúcar na direção horizon-tal e não vertical no perfil Argissolo coeso do Estado do Pará.

    33ª Curiosidade - Gleissolo Háplico em contato com Latossolo Vermelho

    33ª Curiosidade - Gleissolo Háplico em contato com Latossolo Vermelho

    A imagem abaixo destaca do Gleissolo Háplico (GX) num local de má drenagem onde o ferro na forma reduzida é responsável pela cor cinza, no contato com o Latossolo Vermelho (LV) num local bem drenado onde o ferro na forma oxidada é responsável pela cor vermelha.

    32ª Curiosidade- Argissolo Vermelho-Amarelo versus Neossolo Quartzarênico

    Curiosidade #32 - Argissolo Vermelho-Amarelo versus Neossolo Quartzarênico

    Ambos os solos (Argissolo Vermelho-Amarelo e Neossolo Quartzarênico) apresentam textura arenosa no horizonte superficial, mas somente o Argissolo possui textura média tendendo a argilosa no horizonte subsuperficial, o Neossolo mantém a textura arenosa até 200 cm de profundidade.

    Essa grande diferença de textura no perfil do Argissolo é a principal responsável pela disponibilidade hídrica para a cana-de-açúcar, por isso não só sua altura é maior, como também seu desenvolvimento vegetativo nas entrelinhas.

    Alguns metros distanciam o contato desses solos da região oeste do Estado de São Paulo!

    31ª Curiosidade

    O Latossolo, ao contrário do Argissolo e Luvissolo apresenta teor de argila uniforme ao longo do perfil.

    Se não existe compactação, a macro e microporosidade também é relativamente uniforme ao longo do perfil do Latossolo, mas no Argissolo e no Luvissolo, o volume de microporos é muito maior no horizonte B em relação ao horizonte A porque possui maior teor de argila.

    Como consequência, existe uma quebra de capilaridade exclusiva do Argissolo e Luvissolo, o que aumenta o tempo de água disponível no perfil.

    Por isso as plantas demoram mais para secar no Argissolo e Luvissolo típicos em relação ao Latossolo, sob as mesmas condições de manejo e precipitação pluviométrica.

    A animação abaixo ilustra o movimento de água nos citados solos após uma chuva.

    Animação 1. Argissolo e Luvissolo com horizonte B iniciando a 40 cm de profundidade.

    Animação 2. Argissolo e Luvissolo com horizonte B iniciando a 80 cm de profundidade.

    As plantas com sistema radicular superficial [arroz; milho] secam radipamente se forem cultivadas em Argissolo com o horizonte B iniciando a 80 cm de profundidade.

    30ª Curiosidade

    Na elaboração de gráficos de balanço hídrico, deve-se adotar o valor da capacidade de água disponível (CAD) de cada solo específico, e não fixar um valor sem o conhecimento pedológico, o que na prática frequentemente ocorre.

    A figura 1 destaca o balanço hídrico de Assis (SP) com CAD fixada em 100 milímetros.

    Figura 1. Balanço hídrico de Assis (SP).

    Figura 1. Balanço hídrico de Assis (SP).

    Calcula-se o valor da CAD pela fórmula abaixo:

    , onde:

    CC e PMP são apresentados em porcentagem de volume, considerando:

    ds: densidade do solo (kg.m-3)

    CAD: capacidade de água disponível

    CC: umidade na capacidade de campo com base no peso seco

    PMP: umidade no ponto de murcha com base no peso seco

    H: profundidade do solo com sistema radicular efetivo (cm)

    Figura 2.

    Figura 2

    A figura 2 mostra que:

    • Solos com o mesmo teor de argila, mas com valores diferentes de capacidade de água disponível, isso ocorre porque o sistema radicular aprofunda mais no perfil de solo eutrófico;
    • Solo com baixo teor de argila e melhor condição química no horizonte B (eutrófico) apresentando maior capacidade de água disponível do que o solo com alto teor de argila e pior condição química no horizonte B (álico).

    Portanto, a capacidade de água disponível é maior no Latossolo Vermelho eutrófico textura muito argilosa (LVe-4) do que no Latossolo Vermelho álico textura muito argilosa (LVa-4), maior no Latossolo Vermelho eutrófico textura média (LVe-2) do que no Latossolo Vermelho álico textura muito argilosa (LVa-4).

    Em outras palavras:

    • A capacidade de água disponível tem diferenciação mesmo quando os solos tem a mesma porcentagem de argila, mas condições químicas subsuperficiais contrastantes;
    • O balanço hídrico da figura 1 subestima a deficiência hídrica anual da região de Assis porque a CAD imposta de 100 mm não representa a maioria dos solos locais;
    • Na prática, é fácil saber a profundidade do sistema radicular: abrindo uma trincheira e vendo a profundidade efetiva das raízes.

    29ª Curiosidade

    Nas várzeas da região de Búzios (RJ) ocorrem o Planossolo (SX) e o Gleissolo (GX) com reduzida diferença de altitude (6 metros no “SX” e 5 metros no “GX”), figura 1.

    Figura 1. Relação solo-paisagem de uma várzea da região de Búzios (RJ).

    Figura 1. Relação solo-paisagem de uma várzea da região de Búzios (RJ).

    28ª Curiosidade

    Na Amazônia é possível encontrar “manchas de solos” de aproximadamente 1 a 300 hectares conhecidas como as Terras Pretas de índio.

    São solos antropogênicos altamente férteis e ricos em matéria orgânica e fósforo, encontrados em toda à Bacia Amazônica e nas montanhas das Cordilheiras dos Andes até a Ilha de Marajó no Oceano Atlântico (FALCãO, comunicação pessoal).

    A figura 1 mostra uma paisagem onde ocorre a Terra Preta do índio, a figura 2 apresenta um perfil representativo, e a figura 3 mostra fragmentos de cerâmicas enterradas até 2,50 m de profundidade.

    Figura 1. área de Latossolo Amarelo com horizonte A antrópico (Terra Preta de índio), Município de Rio Preto da Eva, AM (Foto: Newton P. S. Falcão).

    Figura 2. Perfil representativo de um Latossolo Amarelo com A antrópico (Terra Preta de índio) textura média, Município de Rio Preto da Eva, AM. (Foto: Newton P. S. Falcão).

    Figura 3. Perfil representativo do Latossolo Amarelo com horizonte A antrópico (Terra Preta de índio) textura argilosa com evidência de material cerâmico adicionado, sitio Hatahara, Município de Iranduba, AM (Foto: Newton P. S. Falcão).

    27ª Curiosidade

    A grande concentração de cascalho na superfície do solo inviabiliza o preparo e uso do solo, mas quando ocorre em profundidade permite a exploração de plantas com sistema radicular não muito profundo.

    Nos estudos de gênese do solo esse volume de cascalho chamado “linha de pedras” é importante porque revela o ambiente de formação dos solos transportados, conforme a posição na paisagem ocorre nas diferentes profundidades no perfil.

    Figura 1. Cambissolo epicascalhento.

    Figura 2. Cambissolo endocascalhento.

    26ª Curiosidade

    Solos com mesmo teor de argila pode apresentar disponibilidade de água significativamente deferente (figuras 1 e 2).

    Figura 1. Perfil representativo do Latossolo Vermelho  textura muito argilosa (LVa-4).

    Figura 1. Perfil representativo do Latossolo Vermelho textura muito argilosa (LVa-4)

    Figura 2. Perfil  representativo do Nitossolo Vermelho textura muito argilosa (NVef-4).

    Figura 2. Perfil representativo do Nitossolo Vermelho textura muito argilosa (NVef-4).

    é possível saber o volume de água disponível do perfil de solo se forem conhecidos não só os dados de capacidade de campo e ponto de murcha permanente (% em volume, mas também a profundidade do sistema radicular observadas no campo).

    Note na figura 1 que as raízes da pastagem, em média, desenvolvem-se até 40 cm de profundidade no Latossolo argiloso (LV-4), ao contrário da figura 2 do Nitossolo (NV-4) que atinge 130 cm desde a superfície.

    Tais diferenças resultam da combinação:

    • Da limitação química do LV-4, álico, reduzindo o crescimento radicular em profundidade; da potencialidade química do NV-4, eutrófico, promovendo o crescimento radicular em profundidade.
    • Da maior disponibilidade hídrica do NV-4

    Adotando-se o valor médio de 0,7 litros de água/cm de solo para o LV-4 e 1,40 litros de água/cm tem-se a disponibilidade hídrica do perfil multiplicando cada valor pela respectiva profundidade de raízes:

    LV-4

     0,7 litros de água ------------------- 1 cm de solo

    X--------------------40 cm

    X: 28 litros de água disponível para a planta.

    NV-4

    1,4 litros de água ------------------- 1cm de solo

    Y -------------------- 140 cm

    Y: 196 litos de água disponível para a planta.

    Essas informações têm grande relação com o preparo do solo, influindo muito na ação diferenciada dos implementos e das máquinas agrícolas.

    25ª Curiosidade

    A profundidade onde se inicia o horizonte B textural dos Argissolos varia tanto esse horizonte pode estar aflorando na superfície (figura 1) ou ocorrendo a grande profundidade (figua 2).

    O conhecimento dessas variações é importante porque o horizonte B é um reservatório de água.

    Figura 1. Horizonte B aflorando na superfície.

    Figura 1. Horizonte B aflorando na superfície.

    Figura 2. Horizonte B iniciando na profundidade média de 80 cm.

    Figura 2. Horizonte B iniciando na profundidade média de 80 cm.

    Plantas com sistema radicular mais superficial como o milho, trigo, etc. secam rapidamente quando o horizonte B é tão profundo como o dessa figura, mas plantas com sistema radicular mais profundo como o citrus, eucalipto, frutíferas, cana-de-açúcar, etc. utilizam por longo tempo a água desse horizonte.

    Argissolos com horizonte B iniciando a 120 cm de profundidade também existem, mas são menos comuns. Nesse caso o trado padrão de 100 cm de tamanho, não amostra o referido horizonte, porque não o atinge na amostragem, por isso o solo não é classificado como Argissolo, muitos confundem com Neossolo Quartzarênico.

    Para desconfiar dessa situação observe o relevo, se for ondulado deve ser mesmo Argissolo porque o Neossolo Quartzarênico ocorre no relevo plano ou suavemente ondulado, mas para total certeza: só abrindo uma trincheira de 150 cm de profundidade!

    24ª Curiosidade

    Os materiais dos solos que possuem cargas elétricas são representados pela matéria orgânica, minerais de argila e óxidos e hidróxidos de ferro e alumínio.

    Enquanto que a matéria orgânica e minerais de argila geram cargas negativas, os óxidos e hidróxidos são responsáveis pelas cargas negativas (quando o valor do pH é relativamente alto) ou positivas (quando o valor de pH é relativamente baixo).

    As cargas negativas do horizonte A são devido a matéria orgânica e minerais de argila, mas no horizonte B predominam cargas elétricas negativas ou positivas (figura 1a).

    A diferença entre pH em água e pH em KCl (delta pH) indica predominância de cargas negativas quando o pH em água é menor que em KCL, cargas positivas quando o pH em KCL supera o pH em água, e nulo quando os valores de pH se igualam (ponto de carga zero). No PCZ a argila flocula-se no seu ponto máximo (a argila dispersa o mínimo).

    Nos solos, as cargas elétricas são dependentes de pH (ou cargas variáveis), muito comum nos solos tropicais, e permanentes ou independentes de pH (no passado ocorreu substituição natural de íons dentro da grade cristalina do mineral de argila por ions similares mantendo o mesmo arranjo, por isso foram geradas cargas negativas permanentes), figura 1b.

    Figura 1. Cargas elétricas no perfil de solo.

    Figura 1. Cargas elétricas no perfil de solo.

    O Latossolo ácrico apresenta alta probabilidade de apresentar predominância de carga positivas em relação as negativas no horizonte B e numa profundidade variável, logicamente porque nessa profundidade existe baixo teor de matéria orgânica e baixa CTC.

    Nessas condições, há maior retenção de ânions (sulfato, nitrato) do que cátions (cálcio, magnésio, potássio, sódio); em outras palavras, a CTA (capacidade de troca de ânions) supera a CTC (capacidade de troca de cátions).

    Comparando os valores de soma bases (cálcio, magnésio, potássio e s´dio) na profundidade de 100 cm do Latossolo Vermelho acriférrico e do Neossolo Quartarênico verifica-se que não são tão diferentes apesar desse Latossolo possuir 60-70% de argila e o citado Neossolo, apenas 10%!

    23ª Curiosidade

    O horizonte B do Argissolo é um reservatório de água para as plantas porque armazena e disponibiliza água por longo tempo.

    Isso ocorre porque existe uma quebra de capilaridade entre os microporos dos horizontes A e B que possuem, respectivamente, baixo e alto teor de argila.

    Dependendo do tipo da planta, conseqüentemente do volume de raízes, a profundidade do horizonte B influi muito na absorção de água.

    Para as plantas anuais é importante que o horizonte B ocorra logo abaixo da camada arável para o sistema radicular aproveitar a água disponível, mas para o eucalipto e o citros, a presença do horizonte B a 100 cm de profundidade ainda é interessante porque o sistema radicular é mais profundo do que das plantas anuais.

    As figuras 1 e 2 destacam a profundidade do horizonte B de dois Argissolos, iniciando a 50 cm, e a 90 cm, respectivamente.

    Figura 1. Argissolo com profundidade do horizonte B próximo a 50 cm.

    Figura 2. Argissolo com profundidade do horizonte B próximo a 90 cm.

    Especial atenção deve ser dada na conservação dos Argissolos porque a remoção do horizonte A no processo erosivo reduz muito a importância hídrica do horizonte B.

    22ª Avaliação de terras

    Normalmente na aquisição de um imóvel rural não são consideradas as reais condições dos tipos de solos, ou seja, considerando suas características pedológicas.

    No método comparativo do valor da terra nua, é possível calcular seu valor quando existe o mapa de solos elaborado num nível adequado (reconhecimento de alta intensidade, semidetalhado ou detalhado), além do mapa clinográfico (ou de declividade) resultando no mapa de capacidade de uso ( figura 1).

    Figura 1. Solos, declividade e capacidade de uso da propriedade rural.

    A capacidade de uso relacionada com a qualidade das estradas permite obter índices agronômicos, a nota agronômica da gleba resulta de cálculos dos índices agronômicos e das respectivas áreas.

    As notas agronômicas da propriedade a ser adquirida (Avalianda) e das comercializadas na mesma região uma vez conhecidas, permite comparações visando conhecer o valor da terra nua do imóvel rural a ser adquirido.

    21ª Cana-de-açúcar orgânica

    A usina Jalles Machado localizada em Goianésia (GO) possui grande área de cana orgânica.

    Segundo a Gestora de Planejamento Agrícola Dra Patrícia Rezende Fontoura, o manejo é diferenciado porque na fertilização são utilizados compostos naturais fosfatados, além da adubação verde (figura 1) e vinhaça visando aumentar os níveis de matéria orgânica.

    Figura 1. Adubação verde entre a cana orgânica na usina Jalles Machado (GO).

    A época de corte da cana orgânica coincide com o inverno, a melhor época de corte segundo a matriz de Landell e colaboradores do Centro de Cana o IAC, considerando-se conjuntamente a produtividade agrícola e a maturação da planta.

    Nesse manejo, a produtividade é da ordem de 10 t/ha em relação ao da cana no sistema convencional.

    Nesse sistema que não permite a adubação mineral, nem a utilização de agrotóxicos, os animais preferem sobreviver harmonicamente (figura 2).

    Figura 2. Harmonia animal no sistema de cana orgânica na usina Jalles Machado (GO).

    20ª Linha de pedras e como descontinuidade litológica

    Em algumas paisagens da região nordeste do Brasil ocorrem solos derivados de sedimentos do Grupo Barreiras no relevo plano (figura 1) ou suavemente ondulado, mas no relevo ondulado (figura 2) ou fortemente ondulado ocorrem solos desenvolvidos de rochas do Complexo Cristalino.

    Figura 1. Relevo plano.

    Figura 2. Relevo ondulado.

    No campo, a linha de pedras ou “stone line” é uma clara evidência de descontinuidade litológica no perfil de solo conforme ilustrado nas figuras 3 e 4.

    Figura 3. Linhas de pedras no perfil de solo.

    Figura 4. Detalhe da linha de pedra no perfil.

    Note que acima da linha de pedras a coloração do solo é amarelada e abaixo dessa linha a cor é avermelhada, indicando o real contato de ambos os solos.

    O solo que ocorre acima da linha de pedra classifica-se como Latossolo Amarelo coeso e é originado de sedimentos do Grupo Barreiras (figura 5); abaixo dessa linha ocorre o Argissolo Vermelho originado de rocha do Complexo Cristalino (figura 6).

    Figura 5. Latossolo Amarelo coeso.

    Figura 6. Argissolo Vermelho.

    19ª - Dos cinco sentidos do Homem, no campo quatro deles são utilizados rotineiramente nos estudos pedológicos ou de solos:

    A visão, no exame das paisagens não só prevendo as variações de solos de acordo com o relevo, a declividade, a vegetação natural e as rochas, como também na comparação das cores (figura 1), no estudo do tipo, classe e grau de estrutura, na efervescência do carbonato de cálcio ao reagir com a água oxigenada e na separação dos horizontes dos perfis de solos; o tato, na estimativa do teor de argila pela sua pegajosidade, do silte pela sensação de sedosidade e da areia pela sua aspereza com predominância de areia grossa ou areia fina (figura 2) e ao sentir a consistência (seca, úmida e molhada); o olfato pelo típico cheiro de enxofre do Gleissolo ou Organossolo (ambos tiomórficos), e o paladar pelo sabor muito salgado do Gleissolo sálico.

    Figura 1. Carta de cor MUNSELL.

    Figura 2. Estimativa do teor de argila pela sensação de pegajosidade do solo molhado.

    18ª curiosidade

    A região de Piracicaba apresenta enorme variação de solos, por isso há muito tempo é conhecida como “uma colcha de retalhos”. Quase todas as ordens de solos são encontradas nessa região: Latossolos, Argissolos, Nitossolos, Cambissolos, Luvissolos, Chernossolos, Plintossolos,Vertissolos, Planossolos, Gleissolos, Organossolos.
    Os fatores de formação desses solos que mais variam são: material de origem (calcário, folhelho, argilito, basalto, diabásio, e arenito e sedimentos), e relevo (plano, suavemente ondulado, ondulado e escarpado) da Depressão Periférica e do Planalto Ocidental.

    A figura 1 mostra o aspecto geomorfológico marcante da referida região.

    Figura 1. Geomorfologia da região de Piracicaba.

    Enquanto que nos locais com altitude superior a 900 m, acima da escarpa representada pelo Planalto Ocidental são encontrados solos com horizonte A proeminente, além do A moderado, nos locais de menores altitudes (Depressão Periférica) ocorrem principalmente solos com horizonte A moderado, e em menor proporção A fraco e A chernozêmico.
    No segundo semestre de 2011, você terá oportunidade e examinar esses solos no
    “I CURSO PRÀTICO DE PEDOLOGIA”.

    Para ver esses solos clicar em vídeos na página inicial deste site.

    17ª curiosidade

    Cor e potencial nutricional dos solos

    Nem sempre deve- se afirmar que os melhores solos para a atividade agro-florestal são os de coloração avermelhada (figura 1).

    Figura 1. Latossolo Vermelho álico textura muito argilosa.

    Nas paisagens freqüentemente são identificados solos muito vermelhos com baixo potencial nutricional abaixo da camada arável, ou seja, geralmente na profundidade de 80-100 cm correspondendo ao horizonte B (ou C).

    Quando representados pela classe dos Latossolos são muito ressecados, outra limitação!.
    Na referida profundidade de 80-100 cm essa limitação química subsuperficial evidencia, valores de cálcio e magnésio baixíssimos mesmo nos solos mais argilosos, enquadrando-os como mesoálicos, álicos e ácricos.

    Na prática exige-se um custo operacional de gessagem e/ou calagem profunda para elevar os níveis dos citados elementos abaixo da camada arável num tempo de longa duração.
    Dessa forma, o valor da terra deve ser menor!

    Os solos vermelhos também podem apresentar médio/alto potencial nutricional (eutróficos e mesotróficos), dispensando a citada incorporação de cálcio e magnésio em profundidade.
    Por outro lado, os solos amarelados podem também apresentar baixo ou alto potencial nutricional, e ainda apresentar maior disponibilidade de água para as plantas, quando representados pelos Argissolos (figura 2).

    Figura 2. Argissolo mesoálico textura arenosa / média.

    Portanto, a cor do solo nunca deve ser o principal critério para você arrendar e comprar terras, pois em primeiro lugar, é necessário o levantamento pedológico (ou de solos) num nível de detalhe suficientemente seguro para servir de base para o sucesso do agro-negócio.

    16ª curiosidade

    Na usina Jalles Machado de Goianéisa (GO) foi observada a brotação da cana-de-açúcar na área de reforma com a cultura da soja somente nas áreas mais declivosas (figura 1) e não observada nas áreas planas da mesma encosta.

    Isso porque nos locais declivosos ocorrem solos que armazenam e disponibilizam água por longo tempo (Nitossolos Vermelhos eutróficos argilosos) e nos locais planos adjacentes da mesma encosta ocorrem solos muito ressecados (Latossolos Vermelhos ácricos argilosos).

    Figura 1. Brotação da cana-de-açúcar na área de soja cultivada no Nitossolo Vermelho eutrófico.

    Em função das citadas diferenças de disponibilidades hídricas, o desenvolvimento vegetativo da mesma variedade de soja é muito mais vigoroso do Nitossolo Vermelho eutrófico (figura 2), do que no Latossolo Vermelho ácrico (figura 3).

    Figura 2. Desenvolvimento vegetativo da soja no Nitossolo Vermelho eutrófico.

    Figura 3. Desenvolvimento vegetativo da soja no Latossolo Vermelho ácrico.

    15ª curiosidade

    A expressão do potencial biológico da cana-de-açúcar é de produzir 350 t/ha !!

    Estudos recentes no Centro de Cana do Instituto Agronômico de Campinas, em Ribeirão Preto, mostraram que a variedade IACSP944004 produziu 345 t/ha de colmos, em doze meses.

    A foto abaixo (figura 4) ilustra o tamanho da planta nesse estudo, observados pelos engenheiros agrônomos Marcos Guimarães Andrade Landell do Centro de Cana do IAC, Sergio Quintero Nunes e Alejandro Hernandez do Engenho do Grupo Piasa do México.

    Figura 4. Marcos Guimarães Andrade Landell do Centro de Cana do IAC, Sergio Quintero Nunes e Alejandro Hernandez do Engenho do Grupo Piasa do México

    14ª curiosidade

    Variações das condições pedoclimáticas na região de Veracruz (México)

    No Estado de VeraCruz (México), a paisagem, os solos, e o clima variam significativamente em apenas 100 km de distância (figura 5)!

    Figura 1. Solos do Mã©xico.

    Figura 5. Variação de solos a curta distância.

    Na paisagem, as altitudes variam de 0 a 1200 m, predominam o Vertisol (Vertissolo no Sistema Brasileiro da Embrapa) e o Cambisol (Cambissolo no Sistema Brasileiro da Embrapa).

    Em menor proporção ocorrem o Gleysol (Gleissolo no Sistema Brasileiro da Embrapa) e o Leptosol (Neossolo Litólico no Sistema Brasileiro da Embrapa).

    Os índices de chuva são menores que 1500 mm na região seca, de 1500 a 2000 mm na região semi-úmida, e superior a 2000 mm na região úmida próximo das montanhas.

    Na região seca ocorrem Vertissolos, na região semi-úmida Cambissolos originados de rocha e Vertissolos, e na região úmida Cambissolos derivados de rocha e Cambissolos originados dos depósitos de sedimentos fluviais são os mais observados na paisagem.

    A figura 6 mostra os tipos de solos do México na nomenclatura da FAO.

    Figura 1. Solos do Mã©xico.

    Figura 6. Solos do México.

    13ª curiosidade

    O Nitossolo observado no barranco de estrada mostra ondulações típicas do horizonte B nítico com aspecto de um "acortinamento" e não muito vertical como ilustrado nas figuras 7 e 8.

    Figura 7. Aspécto típico de um barranco de estrada de um Nitossolo.

    Figura 8. Aspécto típico de um barranco de estrada de um Nitossolo.

    12ª curiosidade

    A fração areia é constituída predominantemente pelo quartzo (ou seja, basicamente sílica), mas ao contrário do que pode parecer, os solos com mais teores mais elevados de areia (ou baixos teores de argila) são aqueles com maior resposta ao silício, conforme a pesquisa de Korndörfer .

    A figura 9 relaciona os teores de argila com as quantidades de silício no solo.

    Figura 9. Relação entre os teores de argila com as quantidades de silício no solo.

    11ª curiosidade

    Um teste de campo para saber se o teor de silte é elevado baseia-se no aspecto de talco que o solo apresenta (figura 10). No teste de textura sente-se grande sedosidade da massa do solo, ou a   típica sensação de  "sabonete molhado".

    Essa característica pode ser observada na classe dos Cambissolos típicos.

    Figura 10. Aspecto de talco do solo com alto teor de silte.

    10ª curiosidade

    As diferenças dos tipos de solos ocorrem a curta distância na paisagem. Observe o nítido contato do Argissolo (cor mais clara ) e do Latossolo (cor mais vermelha) figura 11.

    Figura 11. Contato do Latossolo com Argissolo.

    9ª curiosidade

    Você sabia que no mês de julho, a cana-de-açúcar, sem o efeito da irrigação e/ou da fertiirrigação, brota somente facilmente no Chernossolo, e não no Latossolo na região de Goianésia (GO) que possui quase 6 meses seguidos de seca?

    A figura 12 apresenta o aspecto da cana-de-açúcar no Chernossolo , que na média de 5 cortes produz mais que 100 t ha-1 (ambiente de produção A1 da enquete 8), sem efeito da irrigação, nem da vinhaça (SOARES, comunicação pessoal).

    Figura 12. Aspecto da cana-de-açúcar no Chernossolo da usina Jalles Machado de Goianésia (GO).

    Essa constatação não é surpresa porque o Chernossolo apresenta elevada fertilidade natural não só na camada arável (horizonte A), mas também abaixo dessa camada (horizonte B). São solos, portanto solo altamente eutróficos.

    O principal motivo da elevada produtividade e longevidade da planta não pode ser atribuído isoladamente ao caráter eutrófico, pois se fosse um solo ressecado não produziria tanto!

    Por exemplo, o Latossolo eutrófico, ao contrário do Chernossolo, é muito ressecado e nessa mesma região produz 80-84 t.ha-1 na média de 5 cortes (ambiente de produção C2 da enquete 8), sem efeito da vinhaça e da irrigação.

    Os diferenciais favoráveis ao Chernossolo em comparação com o Latossolo são esses:

    • A maior disponibilidade de água   no horizonte A devido ao mais alto teor de matéria orgânica, exclusivamente no Chernossolo;
    • A maior disponibilidade de água   no horizonte B devido a estrutura em blocos muito bem desenvolvida exclusiva do Chernossolo;
    • Na prática, ambos os fatores (matéria orgânica e estrutura do horizonte B do Chernossolo ) aumentam muito o tempo da água disponível no perfil.

    O Nitossolo é outro solo que também proporciona a brotação da cana-de-açúcar na mesma região e no mesmo período de seca, pois a estrutura do horizonte B assemelha-se muito com a do Chernossolo. As principais diferenças referem-se a cor do horizonte A não ser tão escura e aos menores de CTC ao longo do perfil no Nitossolo.

    Isso mostra claramente a importância da Pedologia como uma ciência básica nos projetos agrícolas.

    8ª curiosidade

    Solos de textura média ou média tendendo a argilosa, e com predominância de areia grossa na fração grosseira apresentam "selamento" na camada arável no plantio convencional de soja?

    Esse "selamento" (figura 13) endurece o solo quando logo após uma chuva favorável ao plantio da soja ocorre uma seca de 3-5 dias. Nessas condições, a tênue plântula de soja não consegue romper a camada endurecida causando falha no stand, e prejuízo para o produtor.

    No manejo desses solos recomenda-se romper essa camada endurecida com implementos apropriados.

    Figura 13. Selamento do solo.

    7ª curiosidade

    Existe uma correlação interessante entre a vegetação original e a fertilidade natural dos solos. Segundo ANHê os solos com alta fertilidade natural estão associadas com a presençaa de aroeira, bacuri, peroba rosa, pau d'alho, guariroba, ipê roxo, lixa, jequitibá, cedro, e jaracaticá.

    Finalmente nos solos com baixa fertilidade natural ocorrem angico preto, gabiroba, macaúba, faveiro, jatobá, pequi, e ciganinha.

    6ª curiosidade

    Existe uma estreita relação entre vegetação e tipo de solo. A figura 14 da região de Goianésia (GO), mostra exatamente isso: local com plantas floridas e local com plantas sem flores, a pouquíssimos centímetros de distância. Para entender melhor essas diferenças fizemos duas tradagens nesses dois locais e tivemos essa surpresa curiosa: ocorre Plintossolo onde as plantas apresentam flores e Gleissolos onde as plantas não possuem flores.

    Na prática não é recomendado comprar, ou arrendar terras no Plintossolo pelo ressecamento intenso e pela pouca profundidade desse solo. O Gleissolo, por ocorrer próximo dos rios e riachos, representa área de proteção ambiental (APA), por isso também não deve ser explorado economicamente.

    Figura 14. Contato entre plantas com flores no Plintossolo e plantas sem flores no Gleissolo.

    A disponibilidade de água é exatamente contrária em ambos solos, pois enquanto esses Plintossolos são muito ressecados, os Gleissolos são permanentemente úmidos devido a proximidade do lençol freático. Sabe-se também que a fisiologia de uma planta requer o período de seca para induzir o florescimento e é exatamente isso que a Natureza está mostrando: a interação da Botânica com a Pedologia.

    Nas plantas de interesse econômico observamos também esse mesmo fenômeno de indução de florescimento. Por exemplo, para a cana-de-açúcar florescer (e acumular açúcar) é necessário existir um stress hídrico e isso inicia-se no mês de abril na região Centro-Sul do Brasil.

    5ª curiosidade

    O tatu cava sua toca indiretamente utilizando-se da CTC pedológica (argila)!

    Pedologicamente solos adjetivados de "Tb" possuem CTC menor que 27 cmol.kg-1 de argila, mas quando maior ou igual que esse limite são "Ta". Os Latossolos e parte dos Cambissolos (Tb) são friáveis ou muito friáveis (fôfos) porque todo solo "Tb" é assim, desde que não compactados.

    Por outro lado, os Chernossolos, Vertissolos são firmes ou extremamente firmes, ou seja muito duros. Portanto, até o tatu classifica o solo antes de manejá-lo (cavar sua toca), figura 15.

    Figura 9. Hã©lio do Prado com o Tatu.

    Figura 15. O Tatu.

    4ª curiosidade

    O Termo ácrico vem do latim significado (o fim). Na Pedologia um Latossolo ácrico significa tal solo já atingiu o final do intemperismo resultando numa fração argila oxídica. Mineralogicamente esse estado oxídico refere-se ao último estágio, em outras palavras, a fase caulinítica já foi ultrapassasa. Por esse motivo a classificação da FAO reserva a adjetivação de Geric (Geriatria, velhice) para essa condição pedológica, figura 16.

    Figura 16. Microagregados do solo ácrico.

    3ª curiosidade

    Que os Latossolos argilosos ou muitos argilosos possuem elevada microagregação da fração argila, especialmente se forem ácricos. Os tamalhos desses microagregados são até maiores do que a fração areia. Na prática, a água da chuva ou irrigação percola rapidamente, por isso nunca estranhe quado esses solos bem argilosos são comparados com os mais arenosos quanto a disponibilidade de água.

    2ª curiosidade

    Que o intenso fendilhamento no solo surgere que possui alto grau de adensamento. Nesse caso a subsolagem não tem efeito porque a elevada dureza é consequência genêtica e nâo provocada por máquinas e implementos agrícolas, figura 17.

    Figura 17. Fendas de um solo com adensamento genético.

    1ª curiosidade

    Para executar todos os levantamentos de solos, o número de tradagens feitas "no braço" pelo autor atinge a marca aproximada de 11000 metros. Em cada local foi necessário coletar amostras de solo até a profundidade de 1 metro. Se fosse possível concentrar num só local todas essas tradagens, o autor teria atingido a profundidade de 11000 metros ou 11 quilômetros.

    Apoio:

    IPNIJornal da Cana The International Union of Soil Sciences Natural Resources Management and Environment Departament ISRIC - World Soil Information