Enquete #70. Nitossolos (SiBCS, 2018) - aspectos pedológicos e de manejo

Nitossolos, uma das 13 classes de solo no nível de ordem do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, são simbolizados de NV, figura 1 quando possuem cor vermelha, a mais comum.

Existem também Nitossolos de coloração bruna: são os Nitossolos Brunos (NB), mas quando não possuem coloração vermelha, nem brunada, classificam-se como Nitossolos Háplicos (NX).

Pedologicamente, os Nitossolos apresentam textura argilosa ou muito argilosa nos horizontes A e B, apresentam os seguintes valores da capacidade de troca de cátions da fração argila (T), a qual inclui nessa CTC, a influência não só da argila, mas também da matéria orgânica:

  1. 17 a 26 cmolc.kg-1 de argila quando na hierarquia de classificação são Nitossolo típicos, ou seja, argila de atividade média (Tm); ao contrário da classe dos Latossolos típicos que possuem argila de atividade baixa (Tb), com valores da capacidade de troca de cátions da fração argila menor que 16 cmolc.kg-1;
  2. maior ou igual 27 cmolc.kg-1 de argila alta (Ta), ou seja, argila de atividade alta (Ta), como ocorre em alguns Nitossolos Vermelhos e em alguns Nitossolos Háplicos: “Ta alumínicos”.

Na maior parte dos primeiros 100 cm a partir do topo do horizonte B, os Nitossolos Vermelhos geralmente são eutroférricos ou eutróficos, mas também podem ser distroférricos, distróficos, raramente álicos e alumínicos.

Por outro lado, os Nitossolos Brunos apresentam a mais baixa fertilidade natural, são aluminoférricos, alumínicos, distroférricos ou distróficos. Geograficamente são mais expressivos no Estado de Santa Catarina.

Os Nitossolos Háplicos normalmente são eutróficos, eutroférricos, distróficos, distroférricos, ou álicos, com a maior ocorrência na região Centro-Sul do Brasil.

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Curiosidade

Horizonte E álbico: aspectos pedológicos e de manejo

Segundo o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS), o horizonte E álbico apresenta cor nitidamente muito clara em função da alta concentração de quartzo e não em função de uma pela presença de calcário fino no horizonte, observa-se esse horizonte muito claro no Argissolo, figura 1 e no Planossolo na figura 2.

O horizonte E álbico apresenta, ao mesmo tempo cor muito clara e teor de argila extremamente baixo.

Todo horizonte álbico é simbolizado de E, mas nem todo horizonte E é álbico porque mesmo se o teor de argila seja muito baixo no horizonte E, a cor pode não ser suficientemente tão clara como exigido no SiBCS.

O horizonte B espódico pode também estar logo abaixo do horizonte E álbico, mas as diferenças de valores de argila não são significativas como acima citado, consequência da migração química em profundidade, gênese dos Espodossolos.

Os horizontes B textural e B plânico ficam abaixo do horizonte álbico apresentando concentração de argila muito superior em relação ao horizonte E álbico, resultado da significativa migração mecânica de argila dos horizontes (A+E) para o horizonte sub superficial (B), gênese dos Argissolos e Planossolos, principalmente.

Figura 1. Horizonte álbico (com lamelas) logo acima do horizonte B textural que se inicia na profundidade de 90 cm no Argissolo
Figura 1. Horizonte álbico (com lamelas) logo acima do horizonte B textural que se inicia na profundidade de 90 cm no Argissolo.
Figura 2. Horizonte E álbico logo acima do horizonte B plânico, que se inicia na profundidade de 70 cm no Planossolo
Figura 2. Horizonte E álbico logo acima do horizonte B plânico, que se inicia na profundidade de 70 cm no Planossolo.

Em relação aos aspectos de manejo, os cuidados na conservação desses solos devem ser muito especiais.

Outro aspecto muito importante refere-se ao armazenamento de água – se a profundidade do horizonte E álbico somado com a do horizonte A for espessa (maior que 60 cm) para a maioria das culturas ocorre limitado armazenamento hídrico.

Isso ocorre porque o maior volume radicular não utiliza a água armazenada no horizonte B tão distante das raízes, mas as essências florestais utilizam essa água armazenada na camada subsuperficial.

Para a maioria das culturas econômicas (gramíneas, leguminosas), a condição ideal para aproveitar a água armazenada é quando o horizonte B inicia-se na profundidade entre 30 e menor que 60 cm.

Solos semelhantes, características diferenciais e aspectos de manejo

Alguns solos no campo apresentam certas semelhanças, mas precisam ser diferenciados porque diferem nos aspectos de manejo.

As possíveis semelhanças ocorrem em relação a coloração, estrutura, consistência e profundidade.

As figuras 1 a 4 destacam os solos que mostram algumas semelhanças no campo, mas que na realidade são diferentes.

Figura 1. Latossolo Vermelho (Foto: Hélio do Prado) e Nitossolo Vermelho (Foto: Thiago A.B. do Prado), ambos típicos textura muito argilosa A moderado.
Figura 1. Latossolo Vermelho (Foto: Hélio do Prado) e Nitossolo Vermelho (Foto: Thiago A.B. do Prado), ambos típicos textura muito argilosa A moderado.

Características diferenciais

Latossolo- horizonte B com estrutura subangular fraca e consistência muito friável, ausência de cerosidade.
Nitossolo- horizonte B com estrutura prismática que se rompe em blocos subangular forte, cerosidade forte e abundante.

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Vídeo - Cor do solo.

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Solo-paisagem

Veja o vídeo destacando a relação solo-paisagem de: Latossolo Vermelho, Nitossolo Vermelho e Neossolo Litólico.

Esse conhecimento é muito importante nos estudos de gênese e levantamento de solos.

História da Pedologia

Em 1877 Dokouchaiev, pioneiramente, estudou os solos da Rússia considerando a distinta existência dos horizontes desde a superfície até a atingir rocha, estabelecendo assim a base da Pedologia, considerando além da diferenciação morfológica vertical do solo, seus constituintes, sua gênese. Essa ciência, relativamente recente, contribui para o desenvolvimento de uma nação porque informa as características dos solos, que são indispensáveis para o racional planejamento do uso das terras na agronomia, geologia, geografia, geomorfologia, biologia e na ecologia.

Formação do Solo

O tempo como fator de Formação do Solo

Segundo os especialistas em gênese de solos, são necessários 10000 anos para a formação de 1 cm de solo desenvolvido de granito. A figura abaixo ilustra a evolução do solo que aumenta de espessura ao longo do tempo.

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Indicações Pedológicas

Diversas classificações!

A Pedologia é uma ciência que possui uma lógica de abordagem que pode ser facilmente compreendida. Podemos identificar um solo como identificamos uma música, em uma canção não precisamos ouví-la inteira. No solo isto pode acontecer, não precisamos examinar diretamente todas as características morfológicas para classificá-lo.

Para detalhar este solo é fundamental o conhecimento das condições químicas, físicas e mineralógicas. A hierarquia da classificação de solos no Sistema Brasileiro consta na figura 1 e no Sistema Americano na figura 2.

Hierarquia do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos.

Figura 2. Hierarquia do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos.

As cores citadas na sub ordem adjetivam de vermelho, vermelho-amarelo e amarelo os Latossolos e Argissolos, e de vermelho parte dos Nitossolos. As interpretações químicas pedológicas no nível de grande grupo podem ser examinadas, em detalhe, na enquete 27.

Para maiores detalhes sobre cor de solos no nível de subordem consultar a enquete 44.

Figura 2. Hierarquia do Sistema Americano de Classificação de Solos.

Figura 2. Hierarquia do Sistema Americano de Classificação de Solos.

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