Nova enquete #67. Textura e capacidade de água disponível de grupos de solos do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS, 2013)

A capacidade de água disponível (CAD) é expressa pela fórmula:

CAD: capacidade de água disponível (mm de água.cm-1 de solo)

CC: umidade na capacidade de campo com base no peso seco

PMP: umidade no ponto de murcha com base no peso seco

ds: densidade do solo (kg.m-3)

H: profundidade efetiva atingida pelo sistema radicular no perfil de solo (cm), que é dependente das condições químicas e da compactação do solo.

Quanto mais favoráveis são as condições físicas e químicas dos solos, maior o aprofundamento do sistema radicular no perfil de solo!

A textura do solo está relacionada com a capacidade de água disponível (CAD) dos solos, mas nem sempre os solos mais argilosos são aqueles que possuem capacidade de água disponível favorável.

A figura 1 relaciona a textura, com a amplitude da diferença dos valores da capacidade de campo (CC, % em volume) e do ponto de murcha permanente (PMP, % em volume).

Figura 1. Amplitude dos valores entre capacidade de campo (CC, % em volume) e o ponto de murcha permanente (PMP, % em volume).

São feitas considerações sobre a textura e a referida amplitude dos valores da CC-PMP (em porcentagem em volume) dos solos do Sistema Brasileiro de Classificação (SiBCS, 2013); para facilitar, enquadrados em 6 grupos (quadro 1).

Quadro 1. Grupos de solos do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS, 2013).
Grupos de solos Solos
I Latossolos, Nitossolos, Cambissolos, Espodossolos, Plintossolos Háplicos
II Argissolos, Luvissolos, Planossolos, Chernossolos Argilúvicos, Plintossolos Argilúvicos
III Vertissolos, Chernossolos Rêndzicos, Plintossolos Háplicos, Neossolos Quartzarênicos, Neossolos Litólicos, Neossolos Regolíticos, Neossolos Flúvicos
IV Neossolos Litólicos
V Plintossolos Pétricos
VI Organossolos

No perfil de solo podem existir aspéctos morfológicos especiais que aumentam o tempo da água disponível, tais como:

  • A profundidade diferenciada do sistema radicular em relação ao início do topo do horizonte B textural e a respectiva porcentagem de argila nesse topo. Exemplo: o aproveitamento da água é maior quando no Argissolo o topo do horizonte B ocorre a 40cm de profundidade com 35% de argila nesse topo, em comparação com o Argissolo com o topo do horizonte B ocorre a 70 cm de profundidade com 25% de argila nesse topo, e outras várias combinações;
  • A quebra de capilaridade entre os horizontes superficiais mais arenosos em relação aos horizontes sub superficiais mais argilosos, quanto o maior contraste de argila maior é o contraste de microporos que armazenam a água;
  • A restrição de drenagem interna evidenciada pela presença de mosqueados ou variegados, sinal que há influência do nível elevado do lençol freático;
  • As camadas de impedimentos em sub superfície que reduzem a infiltração hídrica no perfil, tais como rocha, fragipã, duripã, plintita e petroplintita

Solos do grupo I

Correlaçionar a disponibilidade hídrica com a textura não um procedimento seguro, pois os solos ácricos, que geralmente possuem textura argilosa e muito argilosa (argila de 40 a 75%), apresentam semelhante amplitude nos valores da diferença da capacidade de campo e do ponto de murcha permanente dos solos de textura arenosa (argila menor que 15%).

Os Latossolos ácricos apresentam alto grau de microagregação em decorrência da cimentação dos colóides pelos óxidos de ferro e/ou devido o balanço de cargas elétricas estar exatamente no ponto de carga zero ou muito próximo dele no horizonte B, assim as argilas floculam no grau máximo e formam-se os microagregados, que como consequência, após a chuva ou a irrigação esses solos microagregados drenam muito rapidamente, ressecando-se extremamente.

Por outro lado, os Nitossolos típicos também possuem teor de argila na mesma faixa de 40-70% citada para os Latossolos ácricos típicos, mas possuem alta capacidade de água disponível devido o alto grau de estruturação do horizonte B nítico.

Somente os Cambissolos textura média ou mais argilosa, com alto teor de silte, destacam-se nos valores CC-PMP.

Os Espodossolos por serem extremamente arenosos apresentam reduzida disponibilidade hídrica.

Finalmente, os Plintossolos Háplicos possuem reduzida disponibilidade de água devido ao alto volume de plintita e/ou petroplintita.

Solos do grupo II

Argissolos e Planossolos, por apresentarem várias combinações do teor de argila e de consistência entre os horizontes A e B, Luvissolos por apresentarem volume de cascalho muito variável no horizonte A, e Plintossolos por possuírem muitas combinações do volume de plintita e/ou de petroplintita, são as classes de solos com enorme variabilidade da capacidade de água disponível, por isso não existe um padrão de CAD.

A literatura possui poucas informações de água disponível dos Chernossolos Argilúvicos e Plintossolos Argilúvicos.

Solos do grupo III

Os Vertissolos apresentam altos valores de capacidade de campo e ponto de murcha permanente, por isso é elevada a amplitude na diferença desses valores, porém nem toda água fica disponível para as plantas porque esse solo possui mineralogia do tipo 2:1, por isso parte do volume de água fica retida com muita energia nos colóides de alta atividade, ou seja parte da água fica “bindada” ficando indisponível para as plantas.

Os Neossolos Quartzarênicos são extremamente arenosos, os Plintossolos Háplicos possuem alto volume de plintita e/ou petroplintita, por isso são muito ressecados.

A literatura possui poucas informações de água disponível dos Chernossolos Rêndzicos, Neossolos Litólicos, Neossolos Regolíticos e Neossolos Flúvicos.

Solos do grupo IV

A literatura possui poucas informações de água disponível dos Neossolos Litólicos.

Solos do grupo V

Certamente, o horizonte concrecionário e/ou o litoplíntico devido a fração grosseira, são responsáveis pela baixíssima disponibilidade hídrica dos Plintossolos Pétricos.

Solos do grupo VI

A literatura possui raras informações de água disponível dos Organossolos, o solo menos comum no Brasil, por isso o último na “chave de classificação” do quadro 1.

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Solo-paisagem

Veja o vídeo destacando a relação solo-paisagem de: Latossolo Vermelho, Nitossolo Vermelho e Neossolo Litólico.

Esse conhecimento é muito importante nos estudos de gênese e levantamento de solos.

História da Pedologia

Em 1877 Dokouchaiev, pioneiramente, estudou os solos da Rússia considerando a distinta existência dos horizontes desde a superfície até a atingir rocha, estabelecendo assim a base da Pedologia, considerando além da diferenciação morfológica vertical do solo, seus constituintes, sua gênese. Essa ciência, relativamente recente, contribui para o desenvolvimento de uma nação porque informa as características dos solos, que são indispensáveis para o racional planejamento do uso das terras na agronomia, geologia, geografia, geomorfologia, biologia e na ecologia.

Formação do Solo

O tempo como fator de Formação do Solo

Segundo os especialistas em gênese de solos, são necessários 10000 anos para a formação de 1 cm de solo desenvolvido de granito. A figura abaixo ilustra a evolução do solo que aumenta de espessura ao longo do tempo.

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Indicações Pedológicas

Diversas classificações!

A Pedologia é uma ciência que possui uma lógica de abordagem que pode ser facilmente compreendida. Podemos identificar um solo como identificamos uma música, em uma canção não precisamos ouví-la inteira. No solo isto pode acontecer, não precisamos examinar diretamente todas as características morfológicas para classificá-lo.

Para detalhar este solo é fundamental o conhecimento das condições químicas, físicas e mineralógicas. A hierarquia da classificação de solos no Sistema Brasileiro consta na figura 1 e no Sistema Americano na figura 2.

Hierarquia do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos.

Figura 2. Hierarquia do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos.

As cores citadas na sub ordem adjetivam de vermelho, vermelho-amarelo e amarelo os Latossolos e Argissolos, e de vermelho parte dos Nitossolos. As interpretações químicas pedológicas no nível de grande grupo podem ser examinadas, em detalhe, na enquete 27.

Para maiores detalhes sobre cor de solos no nível de subordem consultar a enquete 44.

Figura 2. Hierarquia do Sistema Americano de Classificação de Solos.

Figura 2. Hierarquia do Sistema Americano de Classificação de Solos.

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