49ª Ficha pedológica: o “RG” do solo no campo que você precisa saber para classificar o solo.

A descrição morfológica do perfil de solo é de enorme importância para se classificar o solo, mas informações sobre as análises de laboratório são indispensáveis (análises químicas pedológicas e os respectivos cálculos de soma de bases (SB), capacidade de troca de cátions do solo (CTC), capacidade de troca da fração argila (T), saturação por bases (V), saturação por alumínio (m) e retenção de cátions( RC; e ainda análises granulométricas (argila, silte, areia fina e areia grossa), as vezes complementadas com análises mineralógicas das frações argila e areia.

O perfil de solo pode ser estudado em trincheira ou em barranco de estrada, o local escolhido não deve ter erosão, adição de material jogado na sua superfície, proximidade com formigueiro e cupinzeiro.

Se o exame pedológico for feito em barranco de estrada deve-se cavar 40-50cm na face vertical para que o solo seja examinado nas suas condições naturais (o aquecimento solar resseca o solo alterando sua consistência natural, poeiras contaminam quimicamente as paredes do barranco não escavado).

Desde que próximo do horizonte A não ocorra rocha, plintita ou petroplintita, a profundidade ideal da trincheira varia de 1,60 a 1,80 para que o observador possa, ao mesmo tempo, visualizar e coletar as amostras de solo, a largura de 100-200 cm.

A coleta das amostras de solo no perfil deve ser iniciada pelos horizontes mais inferiores para evitar contaminação do material.

Para fazer a descrição morfológica, selecionar somente a face da trincheira com iluminação solar, o que facilita a separação dos horizontes, não jogar nessa face da trincheira o solo escavado dos horizontes mais inferiores evitando assim a contaminação do solo a ser coletado no horizonte A.

Utilizando uma faca ou canivete, separar os horizontes com base nas variações de cor, textura, estrutura e consistência, iniciando pelo horizonte mais superior.

Colocar lado a lado as amostras de solo da parte central dos horizontes contrastantes a serem separados, ajustar a linha divisória entre dois horizontes, colocando novamente lado a lado a amostra de solo mas agora de um ponto mais inferior da amostra inicial do horizonte mais superficial e a amostra de solo de um ponto mais superior do horizonte menos superficial.

Caso seja necessário, fazer novo ajuste até que o risco da ponta da faca ou do canivete separe nitidamente os horizontes contrastantes, o que acontece quando a transição entre os horizontes é abrupta ou clara.

Por outro lado, quando a transição entre os horizontes é gradual ou difusa, é impossível ter um ajuste tão preciso do que acima citado.

Com base na combinação dos horizontes diagnósticos de superfície (A) e de sub superfície (B, ou E, ou plíntico, ou concrecionário, ou litoplíntico, ou glei, ou cálcico, ou petrocálcico, ou sulfúrico, ou vértico, ou fragipã, ou duripã), é possível classificar o solo no nível de ordem na hierarquia de classificação do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS, 2013).

Exemplo: A-Bw (Latossolo).

Na descrição morfológica são consideradas a coloração, textura, estrutura, consistência, coesão, transição entre os horizontes ou entre as camadas, porosidade, cimentação, presenças de carbonatos, manganês, sulfetos, eflorescência.

A descrição morfológica está intimamente relacionada com as algumas inferências, tais como:

  • solos com rachaduras no horizonte B no período seco apresentam valores médios da CTC da argila (T de 17-27 cmolc/argila, Tm ou argila de atividade média), ou altos (T maior ou igual a 27 cmolc/argila, Ta ou argila de atividade alta).
  • solo muito pegajoso na textura possui teor de argila elevado.
  • solo muito sedoso na textura apresenta teor de silte relativamente elevado.
  • solo muito áspero na textura possui teor de areia elevado.
  • solo com mosqueado ou variegado possui encharcamento temporário no período chuvoso ou quando irrigado, o que favorece a compactação, e a incidência de doenças, principalmente as fúngicas.

A figura 1 apresenta um exemplo de uma ficha pedológica.

Figura 1. Ficha pedológica.
Figura 1. Ficha pedológica.

Nunca todos os símbolos de horizontes coexistem, somente alguns horizontes estão conectados no perfil de solo!

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Enquete #65. Tipos de horizonte superficial dos solos x manejo.

Com base nos critérios de campo e de laboratório, pedologicamente existem vários tipos de horizonte superficial (SiBCS, 2013), cada um deles pode ser relacionado com o manejo agro-florestal.

Desde que não erodido, é no horizonte superficial que se faz o preparo do solo para o plantio ou para a semeadura, onde se concentra o maior volume do sistema radicular das plantas.

Critérios de campo para identificar o horizonte superficial:

Cor

A cor é escura na tabela Munsell quando a relação valor/croma é 3/3 ou 3/2 ou 3/2,5 ou 2/1 ou 2/2 ou 2/3; e é clara quando não se enquadram nas citadas relações valor/croma.

- espessura, incluindo os horizontes transicionais (AB, ou AE, ou AC).

Nos solos mais profundos (quando a soma dos horizontes A e B ultrapassar 75cm na espessura), a espessura mínima do horizonte A é de 25 cm, mas se a soma dos horizontes A+B não ultrapassar 75cm, a espessura mínima do horizonte A é de pelo menos 18cm desde de que supere 1/3 da espessura dos horizontes A+ B, mas se não existir horizonte B considerar A+ C.

Obs: se as duas exigências de cor e espessura não forem atendidas, ao mesmo tempo, o horizonte enquadra-se como A moderado como na figura 1 representando a cor escura mas a insuficiência de espessura.

Figura 1. Horizonte A moderado.
Figura 1. Horizonte A moderado.

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Vídeo - Cor do solo.

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Solo-paisagem

Veja o vídeo destacando a relação solo-paisagem de: Latossolo Vermelho, Nitossolo Vermelho e Neossolo Litólico.

Esse conhecimento é muito importante nos estudos de gênese e levantamento de solos.

História da Pedologia

Em 1877 Dokouchaiev, pioneiramente, estudou os solos da Rússia considerando a distinta existência dos horizontes desde a superfície até a atingir rocha, estabelecendo assim a base da Pedologia, considerando além da diferenciação morfológica vertical do solo, seus constituintes, sua gênese. Essa ciência, relativamente recente, contribui para o desenvolvimento de uma nação porque informa as características dos solos, que são indispensáveis para o racional planejamento do uso das terras na agronomia, geologia, geografia, geomorfologia, biologia e na ecologia.

Formação do Solo

O tempo como fator de Formação do Solo

Segundo os especialistas em gênese de solos, são necessários 10000 anos para a formação de 1 cm de solo desenvolvido de granito. A figura abaixo ilustra a evolução do solo que aumenta de espessura ao longo do tempo.

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Indicações Pedológicas

Diversas classificações!

A Pedologia é uma ciência que possui uma lógica de abordagem que pode ser facilmente compreendida. Podemos identificar um solo como identificamos uma música, em uma canção não precisamos ouví-la inteira. No solo isto pode acontecer, não precisamos examinar diretamente todas as características morfológicas para classificá-lo.

Para detalhar este solo é fundamental o conhecimento das condições químicas, físicas e mineralógicas. A hierarquia da classificação de solos no Sistema Brasileiro consta na figura 1 e no Sistema Americano na figura 2.

Hierarquia do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos.

Figura 2. Hierarquia do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos.

As cores citadas na sub ordem adjetivam de vermelho, vermelho-amarelo e amarelo os Latossolos e Argissolos, e de vermelho parte dos Nitossolos. As interpretações químicas pedológicas no nível de grande grupo podem ser examinadas, em detalhe, na enquete 27.

Para maiores detalhes sobre cor de solos no nível de subordem consultar a enquete 44.

Figura 2. Hierarquia do Sistema Americano de Classificação de Solos.

Figura 2. Hierarquia do Sistema Americano de Classificação de Solos.

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